Algo sutil por José Carturan

 

Um ser humano é capaz de mudar suas atitudes? Logicamente sim. Foi por acreditar plenamente nisto que na hora que tive de optar entre seguir na Odontologia ou dedicar meu tempo integralmente ao treinamento e desenvolvimento de pessoas, fiz a segunda opção. Digo mais: Um ser humano é capaz de alterar para melhor seus comportamentos, adquirir novas capacidades, mudar crenças e paradigmas pessoais e tornar-se um indivíduo muito melhor, preparado para influenciar positivamente sua vida e a dos que estão ao seu redor. Isto não só é factível como é mais simples do que se pode pensar.

Mas, todos podem conseguir tudo? Existe algum limite para estas mudanças? Quais os critérios principais que fazem com que alguém transforme-se em um ser humano melhor? Respondo: Não, nem todos podem conseguir tudo, porque cada um de nós tem um teto e o limite que esta transição alcança está relacionado ao tamanho deste teto, à capacidade, humildade e vontade em aprender e principalmente à disciplina para colocar em prática novos recursos. Ótimo! Sendo assim, basta reunir estas características e algumas outras e qualquer ser humano pode atingir resultados melhores, ser especial e fazer a diferença? Teoricamente a resposta seria sim, mas no frigir dos ovos a resposta é... NÃO.

Há algo a mais, muito sutil, porém imprescindível. E é justamente este algo que diferencia um ser humano especial, baseado em virtudes cardeais e  outro ser humano repleto de recursos, mas que pela falta ou insuficiência deste ‘algo’ pode ser considerado um ‘perigo’. O que é este algo? Simples. Algo chamado índole. Já ouviu que ‘tal sujeito tem boa (ou má) índole’? Pois o significado de índole, do latim índoles é: Propensão inata, tendência natural, caráter, sendo que caráter significa: Retidão moral, forma de agir do indivíduo em relação a si mesmo e ao mundo. Entendeu? Algo que a pessoa traz dentro de si.

Por isso que disse que quando este ‘algo’ chamado (boa) índole ou (bom) caráter falta, a pessoa torna-se um ‘perigo’. Porque ela se transforma em uma ‘tranqueira ’cheia de recursos. E alguém com má índole e boas habilidades é capaz de fazer estragos consideráveis. Estou sendo muito duro? Acredito que não. Principalmente se tratarmos o assunto de forma isenta e sem muitos melindres. Mesmo levando em consideração que normas morais e éticas podem ser entendidas de formas diferentes, há uma linha mestra, preconizada por leis, bom senso e virtudes que deve ser seguida.

Gratidão, respeito, lealdade, hombridade, educação, altruísmo, cordialidade, companheirismo, ternura, amor, retidão, senso de justiça, entre outras, são partes integrantes deste algo chamado caráter, peças que juntas formam uma boa índole. E que diferença isso faz...

Lendo meus textos, sem me conhecer pessoalmente, você pode achar que sou retrógrado, conservador ou meio ranzinza. Engano. Porém, acredito que a boa índole é essencial para que a sociedade seja menos vil, violenta, superficial, fútil, impessoal e perigosa. Só tem um problema em tudo isso. Virtudes que servem de alicerce para bom caráter e boa índole não são ensinadas em cursos e treinamentos. Por isso, vale a pena ficar atento.

Dr. José Carlos Carturan Filho

 

Head Trainer da Elleven Desenvolvimento Humano, especialista em Medicina Comportamental pela UNIFESP/EPM (Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina) e manter Practitioner em PNL formado pela International Trainers Academy - Londres.

MBA em Gestão de Saúde e Marketing, professor do MBA de Gestão em Vendas da Universidade Paulista – Disciplina: "Comportamento do consumidor" e Cirurgião Dentista.

Formação em Hipnose Ericksoniana e Hipnose Clássica pela UNIFESP/EPM (Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina).