Meu filho está obeso, e agora? Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

MEU FILHO ESTÁ OBESO! E AGORA?

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Antigamente aquela " criança gordinha " era considerada forte e saudável, hoje sabemos o quanto a obesidade infantil vem aumentando e é um verdadeiro problema de saúde. Mas afinal o que é OBESIDADE? Essa doença, sim DOENÇA, é caracterizada por um aumento da massa gorda corporal por conta de um desequilíbrio entre o ganho e o gasto energético, ou seja , você consome muito mais do que gasta . E como isso acontece? Esse número enorme de crianças e adolescentes obesos está diretamente ligado a uma péssima qualidade de vida com dieta e escolhas alimentares inadequadas, pouca atividade física, muito sedentarismo, sono inadequado e muito tempo em frente das telas (celular, tablet, televisão e computador). Essa é a maior e principal causa, porém existem fatores como: doenças genéticas, doenças endócrinas como o Hipotireoidismo, doenças neurológicas, uso de algumas medicações, baixo nível socioeconômico e residência urbana.

"Doutora como posso prevenir que meu filho se torne obeso?" Esse é o mês “ Setembro Laranja” – de combate a Obesidade Infantil, em que estimulamos medidas de prevenção da obesidade infantil.

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Os cuidados começam quando você ainda está grávida sabia? Sim! A prevenção da obesidade começa desde o pré-natal com os cuidados que a mãe deve ter com seu ganho de peso e alimentação balanceada. Depois que o bebê nasce devemos promover o aleitamento materno e mantê-lo exclusivo até o sexto mês de vida e complementado até dois anos ou mais. Para as crianças e adolescentes devemos sempre promover hábitos saudáveis, veja aqui algumas dicas:

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HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS - Desde a introdução alimentar com 6 meses de vida, estimule bons hábitos alimentares, apresentando todos os grupos alimentares desde a primeira papa; isso contribui para o reconhecimento das notas dos diversos paladares pela criança, e quando esta introdução é realizada sem adição de sal, açúcar e gordura saturada, permite-se à criança que perceba com mais naturalidade os outros diversos paladares, atingindo a sua saciedade com alimentos saudáveis e diminuindo o risco de formação de um hábito alimentar obesogênico. Em relação a alimentação um outro aspecto muito importante é o comportamento dos pais e cuidadores. O hábito da família de comer junto com a criança deve ser incorporado, uma vez que o comportamento dos pais no momento da refeição tem muito mais influência na formação de hábitos alimentares saudáveis do que a transmissão verbal de informações.

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Lembre-se sempre que você é o maior exemplo para seu filho e a prevenção da obesidade começa pela base familiar. O cotidiano da criação de uma rotina saudável com regras, orientações e limites não são o objetivo final de uma boa educação alimentar, mas um meio de colocá-la em prática.

ATIVIDADE FÍSICA E BRINCAR - A atividade física regular está entre as principais medidas de prevenção da obesidade infantil. Exercícios físicos controlam o peso, levam à redução da pressão arterial, aumentam o HDL-colesterol, diminuem o risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 e alguns tipos de câncer, levam a um maior bem-estar físico e psicológico, melhora da autoestima e da autoconfiança da criança. Uma criança sedentária muito provavelmente se tornará um adulto sedentário.

Recomendado que todas as crianças, incluindo as que não têm boa coordenação motora, sejam estimuladas a praticar exercícios prazerosos e adaptados à faixa etária, objetivando a participação e a inclusão, e não a competitividade. Dessa forma, a atividade física deve ser incorporada à vida do indivíduo desde a infância, tornando-se um hábito e uma rotina salutar. A American Heart Association (AHA) recomenda que todas as crianças a partir de dois anos de idade devam praticar atividades físicas com as seguintes características : Intensidade moderada a intensa, agradável, apropriada à idade do ponto de vista do desenvolvimento físico e emocional, variada, pelo menos por 60 minutos, DIARIAMENTE. Dar preferência a atividades aeróbicas. Caso não seja possível realizar a atividade física por uma hora consecutiva, procurar promover dois períodos de 30 ou quatro de 15 minutos. (Disponível em: https://www.heart.org/en/healthy-living/fitness/fitness-basics/american-heart-associations-recommendations-for-physical-activity-in-children)

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REDUÇÃO DO TEMPO DE “TELA”: Na minha opinião, um dos maiores vilões e causadores da obesidade infantil e da vida sedentária são as telas: televisão, videogames, computador , tablets e celulares. Antes de tudo, vale ressaltar que “tempo de tela” é encarado pela Academia Americana de Pediatria como o período que a criança usa os eletrônicos para entretenimento. Por isso, o tempo de tarefas e pesquisas escolares não entra nessa conta. Veja aqui a recomendação da AAP e da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Bebês: nenhuma exposição diária às telas.

2 a 5 anos: uso limitado a uma hora por dia, de programação de qualidade e apropriada à idade.

6 anos e mais: o tempo de tela não deve exceder duas horas por dia .

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O TEMPO DE SONO: O sono atua em vários sistemas. Boa qualidade de sono contribui para a memória, imunidade, crescimento e também na manutenção do peso. As crianças e os adolescentes que dormem menos do que o recomendado para a idade têm risco aumentado de ganho de peso em 1 ano.

Finalizamos citando que a causa da obesidade é multifatorial, necessitando de equipe interdisciplinar para acompanhar essas crianças e esses adolescentes. As repercussões clínicas e o aumento da morbimortalidade dos obesos justificam a necessidade primordial da prevenção. A ausência de familiar colabora de forma importante em horários do lazer infantil, portanto, torna-se prudente melhorar, favorecer e oportunizar as inter-relações sociais materno-infantis.

No próximo texto falaremos das consequências da Obesidade Infantil na saúde e na vida das nossas crianças

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 1. American Academy of Pediatrics 2. Sociedade de Pediatria de São Paulo 3. Sociedade Brasileira de Pediatria 4. American Heart Association (AHA)

 

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Carolina Calafiori de Campos

Coluna Pediatria

Dra Carolina Calafiori de Campos - CRM 146.649 RQE nº 73444 

Médica Formada pela Faculdade de Medicina de Taubaté, Especialização em Pediatria pelo Hospital da Puc Campinas, Especialização em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital da Puc Campinas, Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria - Contato: carolinacalafiori@hotmail.com