Vamos falar sobre sustentabilidade? Coluna Arte/Fotografia e Design por Mônica Fraga

O assunto é sério e devemos incorporar essa responsabilidade nas nossas ações e escolhas.

A preocupação com o meio ambiente deve ser de todos, e se cada um fizer a sua parte o mundo agradece.

Onde você descarta o lixo? Você recicla, reutiliza e faz uso consciente dos recursos, como por exemplo, a água?

Tudo é hábito. Basta abraçar essa postura!

Na arquitetura e engenharia a preocupação com a sustentabilidade deve ser uma condição principal para iniciar um projeto. Deve-se considerar tanto o impacto ambiental, econômico e social que um determinado edifício tem ao ser construído.

Em Londres conheci um edifício da Bloomberg, projetado pela Foster +Partners. Um exemplo de projeto sustentável de arquitetura, o qual recebeu o selo BREEAM Outstanding de sustentabilidade, a pontuação mais alta que um grande escritório de arquitetura já recebeu, ainda na fase de projeto para um edifício deste tipo.

Sua impressionante fachada é definida a partir de um gridi estrutural de arenito, com uma série de brises em bronze responsável por sombrear as amplas aberturas do piso ao teto. Esses elementos de controle solar colaboram também com o sistema de ventilação natural do edifício.

Uma rampa tridimensional em ascensão contínua flui através de um átrio em meio ao edifício, revelando surpreendentes perspectivas a cada pavimento e permitindo que as pessoas mantenham breves conversas com seus colegas sem interromper o fluxo de pessoas.

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O forro de painéis de alumínio foi concebido para dar acabamento, dissipar a luz, incorporar os elementos do sistema de ventilação e controle acústico.

O edifício usa 70% menos água e 35% menos energia do que outro edifício do mesmo tipo.

O ponto alto do projeto foi a descoberta do sítio arqueológico do Templo Romano de Mithras descoberto no local durante a fundação do edifício. Um novo centro cultural e de pesquisa foi projetado para possibilitar aos visitantes uma experiência imersiva, trazendo seu passado histórico de volta à vida.

Visita imperdível quando estiver visitando a cidade!

 

Fonte:

https://openhouselondon.open-city.org.uk/listings/7014

https://www.archdaily.com.br

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Mônica Fraga

Arte, Fotografia & Design

Designer de Interiores pela Arquitec., Fotógrafa pelo Senac São Paulo. Atualmente faço um curso sobre História da Arte, em SP, com o crítico de Arte Rodrigo Naves. Instragram: @monicafraga monicabmfraga@gmail.com

 

Exposição na National Portrait Gallery, sobre o trabalho da Cindy Sherman - Coluna Arte/Fotografia e Design por Mônica Fraga

Cindy Sherman

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Tive o privilégio de ver uma exposição na National Portrait Gallery, em Londres, sobre o trabalho da Cindy Sherman, uma das fotógrafas mais respeitadas do final do século XX. Ela se auto fotografa para questionar uma variedade de questões. Através da fotografia, Sherman levantou questões desafiadoras e importantes sobre o papel e a representação das mulheres na sociedade, a mídia e a natureza da criação da arte.

Cindy Sherman estabeleceu sua reputação e uma marca inédita de auto-retrato com seu "Untitled Film Stills" (1977-80), uma série de 69 fotografias da artista encenando clichês femininos da cultura pop do século XX.

Para que uma fotografia seja considerada retrato, o artista deve ter a intenção de retratar uma pessoa específica e real. Sherman comunica cuidadosamente ao espectador que essas obras não devem representá-la como a pessoa. Ao intitular cada uma das fotografias "Sem título" e numerá-las, ela despersonaliza as imagens.

Confesso que até aquele momento não curtia o trabalho dela porque pensava somente no “belo”, e a beleza das fotos dela está no propósito, na mensagem através de cada imagem, ao provocar questionamentos...

Nos faz pensar no quanto o sentido da visão pode ser manipulado, o quanto vivemos na era da imagem e na influência que tudo isso tem sobre nós! Basta pensarmos na vida perfeita, até mesmo “fake” que vemos nas mídias sociais, e no uso abusivo dos filtros e do photoshop.

Como é difícil saber exatamente a veracidade das informações que circulam, não sei de quem é a frase, mas acredito muito nisso:

“Não nascemos para sermos perfeitos, mas para sermos reais!”

 

Fontes:

http://cindysherman.com/

https://www.artsy.net/

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Mônica Fraga

Arte, Fotografia & Design

Designer de Interiores pela Arquitec., Fotógrafa pelo Senac São Paulo. Atualmente faço um curso sobre História da Arte, em SP, com o crítico de Arte Rodrigo Naves. Instragram: @monicafraga monicabmfraga@gmail.com

 

Palimpsesto Mágico" mescla arte e psicanálise, em exposição de esboços do artista Egas Francisco, em São Paulo

Mostra, que acontece de 30 de setembro a 11 de outubro, apresenta os esboços produzidos durante as sessões de psicanálise do artista brasileiro Egas Francisco com o psicanalista Isac Karniol, 

especialista referência no Brasil; os trabalhos também trazem interpretações analíticas dos psicanalistas Isac e Patrícia Karniol, que juntos idealizaram o evento, no livro Palimpsesto Mágico 

 

Com mais de 120 esboços pintados à tinta fluída, realizados em poucos minutos durante suas sessões de terapia com o psicanalista Isac Karniol, especialista referência no Brasil, Egas Francisco - artista brasileiro que completa 80 anos esse ano - traz à tona sua sensibilidade e sentimentos mais profundos na exposição Palimpsesto Mágico, que acontece entre 30 de setembro e 11 de outubro, na Joh Mabe Espaço Arte & Cultura, em São Paulo. Considerados documentos científicos, os trabalhos também trazem interpretações analíticas dos psicanalistas Isac e Patrícia Karniol, que lançam o livro Palimpsesto Mágico durante a mostra.

 

“Diferente da arte que me tornou conhecido, os esboços foram produzidos durante as sessões de terapia, embora nem sempre tivesse a ver com o que foi discutido. A intuição está acima de tudo, são trabalhos espontâneos, feitos de imediato. Em um encontro às vezes chegava a fazer 4 esboços”, conta Egas Francisco. Para ele, uma obra de arte pode ser vista sob duas perspectivas: a ótica da estética como obra de arte propriamente dita e como tradução dos sentimentos mais profundos de uma pessoa. "São muito interessantes, inteligentes e verdadeiras as análises feitas pelo Isac do ponto-de-vista terapêutico, que é bem diferente da análise estética”, complementa.

 

Para psicóloga e psicanalista Patrícia Karniol, o termo esboço, utilizado pelo artista, representa "a essência da obra, a ideia primitiva dos primeiros rabiscos feitos pelo inconsciente antes mesmo da consciência vir à tona. A exposição e o livro Palimpsesto Mágico mostram o processo da expressão do subjetivo e do inconsciente e o resultado de todo o trabalho da desconstrução e reconstrução do modelo mental”.  

 

Além da mostra citada e do lançamento do livro, serão apresentadas 10 telas inéditas de grandes dimensões. “Apresentamos uma temática inusitada e inédita, que é a abordagem da arte e da psicanálise juntas. A obra de Egas é uma das mais intensas, intempestivas e emocionais da atualidade. A mostra leva arte, cultura e conhecimento para o público”, diz Ligia Testa, que assina a curadoria do evento. Na vernissage, dia 30 de setembro, o evento ainda contará com a apresentação de Nina Ximenes e Wagner Amorosino com voz e violão para envolver o público. No sábado anterior ao evento, dia 28 de setembro, também acontecerá uma Reunião Científica com especialistas renomados como Isac Karniol, psiquiatra, psicanalista e idealizador do projeto; prof. Enock Sacramento, crítico de arte; psicanalista Dr.Plínio Kouznetz Montagna e psicanalista Dra. Sonia Novaes Rezende, para discutir sobre a temática.   

 

O livro Palimpsesto Mágico de Isac e Patricia Karniol, que trazem as análises feitas em cima dos esboços de Egas, e algumas obras estarão à venda. Os psicanalistas reforçam o que motivou a idealização do evento “compartilhar o momento em que a criatividade-vida se inicia e se expressa através da arte”.

 

Sobre Egas Francisco

Artista plástico, pintor, desenhista, cenógrafo e professor brasileiro reconhecido pelo mundo, principalmente no Brasil e Europa. Nasceu em São Paulo, na Vila Mariana, e mudou para Campinas aos sete anos, onde mora até hoje. Lecionou educação artística no Instituto D. Nery e, no Centro de Ciências, Letras e Artes, dirigiu o departamento de pintura, sendo o fundador do curso livre para engraxates e jornaleiros. Ministrou o curso Introdução à Arte Contemporânea no Senac, em 1979, e o curso Os Pintores Malditos, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, MACC, em 1981. Participou de diversas exposições, entre elas, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp), da Bienal de Udine, Itália, tendo feito exposições na Europa, em importantes cidades como Stuttgart, Milão, Frankfurt Main e Amsterdã. Tem obras em importantes coleções particulares da Europa e da América e em acervos de museus e pinacotecas: Museu de Arte de Murcia (Espanha); Laboratório Degli Artisti (Udine, Itália); Pinacoteca Garcia Lorca (Granada, Espanha) e “Amigos Del Arco” (Madri, Espanha).

 

 

SERVIÇO:

Local: Joh Mabe Espaço Arte & Cultura

Endereço: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 4225 – Jd. Paulista – São Paulo / SP

Vernissage: 30/09/19, das 19h às 23h

Visitação: 30/09 a 11/10/19 

Entrada Gratuita      

Fernando Diniz, retratado no filme "Nise: o coração da Loucura" - Coluna Arte/Fotografia e Design por Mônica Fraga

Descobri recentemente sobre o papel de uma mulher, a dra Nise da Silveira, psiquiatra, que chegando ao Centro Psiquiátrico Nacional Dom Pedro II, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, em 1944, foi contrária às formas de tratamento como o eletrochoque, a lobotomia e o coma insulínico.

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Ela permitiu que seus pacientes expressassem seus sentimentos através da arte, com a intenção de possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade através da expressão simbólica e da criatividade. Disponibilizou materiais de pintura e modelagem e “construiu” um ateliê dentro do hospital. Os pacientes passavam momentos naquele espaço e aos poucos foram mostrando interesse e produzindo sua própria arte, e de lá saíram grandes artistas.

Nesse post falo do Fernando Diniz, como retratado no filme “Nise: O Coração da Loucura”, um paciente submetido ao eletrochoque e graças à coragem da dra Nise de ir contra ao sistema, teve a arte como libertação.

Estive essa semana na Galeria Estação, em São Paulo, onde tem uma exposição linda homenageando esse artista brasileiro, que tinha uma mente inquieta e um talento artístico maravilhoso!

Ao ver as obras dele fiquei pensando no poder da arte, de nos sensibilizar, de nos transformar, de canalizar a dor, as angústias e nos ajudar a exteriorizar.

A arte nutre de várias maneiras e talvez a mais importante seja a de fazer-nos expressar o que temos interiormente sem que tenhamos que dizer uma palavra.

A dra Nise foi uma das primeiras mulheres a se formar em Medicina no Brasil. Durante a Intentona Comunista foi denunciada por uma enfermeira pela posse de livros marxistas. A denúncia levou a sua prisão em 1936 por 18 meses, onde também se encontrava preso Graciliano Ramos, com o que ela tornou-se uma das personagens do seu livro Memórias do Cárcere. Ela fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional no Centro Psiquiátrico Dom Pedro II, em 1946. Introduziu a Psicologia Junguiana no Brasil e fundou em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, um centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos produzidos nos estúdios de modelagem e pintura que criou na instituição.

Que ela seja inspiração para nós, mulheres, para que façamos a diferença e tenhamos a coragem para defender e lutar pelo que acreditamos.

Conheça o trabalho do FERNANDO DINIZ! Seu acervo no Museu de Imagens do Inconsciente reúne mais de 28 mil trabalhos, entre telas, desenhos e esculturas, e é tombado pelo IPHAN. Sem contar os 45 mil desenhos que fez para a animação Estrela de oito pontos, ganhador de dois kikitos de ouro no Festival de Gramado.

 Visite a exposição na Galeria Estação. Vai até 11 de outubro de 2019.

 

“O pintor é feito um livro que não tem fim.”

Fernando Diniz

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Mônica Fraga

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Lina Bo Bardi, arquiteta italo-brasileira, vem saber mais lendo a Coluna Arte/Fotografia e Design

Começo meu post em um lugar inspirador, projetado pela Lina Bo Bardi, arquiteta ítalo- brasileira que  incorporou a nossa brasilidade e deixou sua marca no nosso país.

Lina trabalhava para a revista Domus, de Milão, quando conheceu Pietro M. Bardi, seu marido.

Veio para o Brasil na década de 40 e projetou vários edifícios, dentre eles o MASP – Museu de Arte de São Paulo, onde escrevo essa matéria, o qual possui a mais importante coleção de arte européia deste hemisfério. Ela concebeu o museu e toda expografia. Pensou o MASP como um espaço permeável e de congregação do público.

Lina, por quem tenho a maior admiração, foi uma mulher à frente do seu tempo, com uma arquitetura ousada, provocativa, “que fala” e agrega. Se hoje fico impressionada, imagino o que representou naquela época.

Uma mulher incansável. Nos seus projetos pensava nos detalhes, projetava desde o mobiliário, luminárias, até os famosos cavaletes de cristal onde são expostos os quadros no MASP. As legendas que trazem os dados da obra ficam posicionadas no verso do cavalete, pois a idéia original da Lina é de que o primeiro encontro do visitante com a obra fosse mais direto, livre de contextualizações e de informações de autoria, título e data, e ainda que ele pudesse criar seu próprio percurso. Os cavaletes tinham sido retirados do museu e voltaram graças ao Diretor Artístico atual do MASP, Adriano Pedrosa.

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Para quem deseja saber um pouco mais e sentir na pele a forma dela pensar arquitetura, sugiro que visite em Sâo Paulo o MASP, o SESC Pompéia, o Teatro Oficina e a Casa de Vidro, onde ela viveu com Bardi até o fim de sua vida.

Na viagem à Londres que citei nos posts anteriores, tive o privilégio de assistir o documentário sobre a vida dela, dirigido pelo artista britânico Isaac Julien.

As atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres interpretam o papel da Lina em duas fases de sua vida, onde é possível ver a mulher forte que ela foi. E por se tratar de arte, o documentário foi uma das coisas mais incríveis que vi durante o Roteiro de Museus em Londres. A forma como foi apresentado, a fotografia, o roteiro e originalmente na língua portuguesa – de arrepiar! Imagino que em breve tenhamos a oportunidade de assistir aqui também. Simplesmente IMPERDÍVEL!

Um fato curioso nas biografias sobre ela foi no momento da construção do vão do MASP, os pedreiros questionaram se os pilares sustentariam a estrutura, e ela que praticamente se mudava para o canteiro de obras garantiu que a estrutura seria suportada pelos quatro pilares. O vão dá leveza à estrutura de concreto e emoldura a vista dessa cidade tão interessante que é São Paulo.

Hoje o vão do MASP, que fica na Avenida Paulista, se tornou um local de contrastes, encontros e  protestos reunindo todas as classes sociais na luta pelo seus direitos e na busca por Arte.

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Mônica Fraga

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