Além do Outubro Rosa: a mulher precisa ser cuidada por inteiro - Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Além do Outubro Rosa: a mulher precisa ser cuidada por inteiro

Por Elisa Pereira — Psicóloga

Em outubro, o rosa ganha espaço nas campanhas, nas redes sociais e nas conversas sobre a saúde da mulher. Esse movimento traz um convite importante ao cuidado e também abre espaço para uma pergunta: como está a mulher por trás de tantas responsabilidades?

Aquela que organiza a rotina da casa, trabalha, acompanha os filhos, cuida dos pais e percebe quando alguém precisa de ajuda. Mas que, muitas vezes, deixa suas próprias necessidades para depois.

Cuidar da mulher por inteiro significa olhar para sua saúde física e também acolher suas emoções, sua história, seus vínculos e suas condições de vida.

Quando cuidar de si fica para depois

“Agora não tenho tempo.”
“Primeiro preciso resolver as coisas da família.”
“Quando tudo se acalmar, eu me cuido.”

Essas frases podem fazer parte da rotina de muitas mulheres. Nem sempre por uma escolha: falta de recursos, jornadas de trabalho e ausência de apoio também dificultam o acesso ao cuidado.

Há, ainda, mulheres que aprenderam a associar seu valor à capacidade de dar conta de tudo. Para elas, descansar pode provocar culpa, pedir ajuda pode parecer fraqueza e reconhecer um limite pode trazer a sensação de estar decepcionando alguém.

Por isso, falar de autocuidado exige mais do que recomendar uma pausa. É preciso conversar sobre divisão de responsabilidades, apoio e espaço para as próprias necessidades.

A mulher não precisa ser forte o tempo todo

Durante uma investigação médica ou um tratamento, podem surgir preocupações com o futuro, com a família e com as mudanças na rotina. Cada mulher vive esse momento de uma maneira.

Algumas desejam conversar. Outras precisam de silêncio. Algumas choram, outras se irritam, e há quem ainda não consiga nomear o que sente.

Acolher significa permitir essas diferenças, sem exigir coragem constante ou uma atitude positiva a qualquer custo.

Em vez de dizer apenas “você precisa ser forte”, podemos oferecer uma presença mais próxima: “Você pode falar comigo. O que está mais difícil hoje?”

A mulher merece um espaço em que não precise esconder o medo para tranquilizar quem está ao seu redor.

O corpo também carrega uma história

O adoecimento e os tratamentos podem trazer mudanças na relação com o corpo. A aparência, a intimidade e a forma de se reconhecer no espelho podem adquirir novos significados.

Nesse processo, comentários bem-intencionados nem sempre acolhem. Dizer “o importante é que você está viva”, por exemplo, pode dificultar a expressão de uma tristeza que também precisa ser ouvida.

É possível sentir gratidão pela vida e, ao mesmo tempo, sofrer pelas mudanças vividas. Um sentimento não anula o outro.

O INCA recomenda que o cuidado à mulher com câncer de mama respeite suas expectativas, autonomia e dignidade. Essa orientação reforça a importância de escutar a mulher e considerar suas necessidades ao longo da assistência.

Quem cuida também precisa receber cuidado

O apoio se torna concreto quando chega à rotina. Preparar uma refeição, dividir tarefas, acompanhar uma consulta quando ela desejar ou ajudar com os filhos pode aliviar parte da sobrecarga.

Perguntar “como posso ajudar?” é importante. Oferecer uma ajuda específica também pode facilitar: “Posso cuidar do jantar hoje?” ou “Você gostaria de companhia para a consulta?”

Ao mesmo tempo, ajudar exige respeitar escolhas. A mulher continua tendo voz sobre seu corpo, sua privacidade e sua vida.

Receber cuidado deve ampliar seu amparo e preservar sua autonomia.

As emoções merecem espaço

O acompanhamento psicológico pode oferecer um lugar para conversar sobre medos, reconhecer necessidades, elaborar mudanças e trabalhar dificuldades nas relações. Durante o adoecimento, esse apoio pode integrar o cuidado, em diálogo com a equipe de saúde.

A atenção às emoções também merece espaço antes de uma crise. Perceber a sobrecarga, compartilhar responsabilidades e buscar apoio quando necessário são maneiras de cuidar da própria vida.

Neste Outubro Rosa, que o convite ao cuidado alcance também aquilo que nem sempre aparece: o cansaço, a solidão, a culpa de descansar e a dificuldade de pedir ajuda.

A mulher que cuida de tantos também merece ser ouvida, amparada e cuidada por inteiro.





Elisa Pereira | Psicóloga
Atendimentos presenciais em Vinhedo/SP e on-line.

WhatsApp: (19) 98128-1661
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Para conhecer meu trabalho ou conversar sobre acompanhamento psicológico, entre em contato.




Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Jane Eyre, Charlote Brontë e Filme: Natal amargo

Dica de livro: Jane Eyre, Charlote Brontë



Jane Eyre, romance de estreia da consagrada e renomada escritora inglesa Charlotte Brontë, narra a história de vida da heroína homônima. Quebrando paradigmas e criticando a realidade vitoriana da época, Jane Eyre desafia o destino imposto às mulheres e as posições sociais que elas deveriam ocupar. Recheado de características góticas, o romance possui personagens inesquecíveis e transformadores, como a figura do misterioso Rochester, patrão de Jane e peça vital da narrativa.

Fonte: Amazon

Dica de filme: Natal amargo


Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

Bibliotecária e Psicóloga formada há alguns anos. Atua na área de psicologia com consultório e no SOS Ação mulher e família como Psicóloga voluntária. Cursou biblioteconomia por adorar os livros e assim ficou conhecendo mais profundamente a história literária. Através de filmes e livros consegue entrar em mundos reais, imaginários , fantásticos o que deixa o coração e a mente livres para conhecer, acreditar e principalmente sonhar. Email: luser8363@gmail.com

 

Provado e aprovado por Milena Baracat - Yellow Padoca

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Vale a visita!

Milena Baracat

Coluna Entretenimento

Coluna Food Tasting

Formada em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Atualmente presta assessoria ao Site Raquel Baracat.

Natação inclusiva ensina crianças autistas a lidar com a água e reforça prevenção contra afogamentos

Projeto da ACESA Capuava, em Valinhos, atende gratuitamente crianças, jovens e adultos com deficiência e aposta em autonomia, segurança e adaptação às necessidades de cada participante

Aprender a nadar pode significar muito mais do que praticar um esporte. Para pessoas com deficiência, especialmente crianças e adolescentes autistas, o contato orientado e seguro com a água também pode representar uma importante ferramenta de autonomia, desenvolvimento e prevenção.

É com esse propósito que a ACESA Capuava, de Valinhos, colocou em prática mais uma edição do projeto Natação Inclusiva, que já está com as aulas em andamento. O programa oferece gratuitamente atividades para crianças, adolescentes e adultos com deficiência, respeitando as características, necessidades e o ritmo de cada participante.

O projeto prevê atendimento de 60 pessoas ao longo de 12 meses e utiliza a prática esportiva como instrumento de habilitação e reabilitação, contribuindo para a qualidade de vida, a autonomia, o desenvolvimento motor, a socialização e a participação dos atendidos.

Mas existe uma preocupação que vai além dos benefícios físicos e terapêuticos: a segurança dentro e fora da piscina.

Afogamentos reforçam alerta para famílias de pessoas autistas

Casos recentes mostram que o risco de afogamento envolvendo crianças autistas não está restrito a praias ou grandes áreas de lazer. Piscinas, lagos e represas também podem representar perigo, principalmente quando uma criança se afasta dos adultos sem que seja percebida.

Em 29 de agosto de 2026, um menino de três anos, diagnosticado com TEA, morreu afogado em uma represa de uma fazenda em Mineiros (GO). Ele brincava no quintal enquanto a mãe preparava um lanche e desapareceu. O pai encontrou a criança submersa durante as buscas.

Em 26 de julho de 2026, uma criança de cinco anos morreu afogada em um lago utilizado para criação de peixes, nos fundos de uma residência em Santana do Riacho (MG). As circunstâncias do caso foram encaminhadas para investigação.

Em dezembro de 2025, outros dois casos chamaram a atenção. Em Eunápolis (BA), um menino de 11 anos, com TEA nível 3 de suporte e não verbal, morreu afogado em um lago do Parque Gravatá depois de sair de casa sem que os familiares percebessem. Em Unaí (MG), uma criança, de quatro anos, morreu após se afogar na piscina de uma chácara da família durante o Natal.

São histórias diferentes, mas que deixam um alerta comum: quando uma criança autista desaparece, poucos minutos podem fazer toda a diferença, e a água precisa estar entre os primeiros lugares a serem procurados.

Para Michel Felipe Policarpo do Nascimento, coordenador do projeto Natação Inclusiva da ACESA Capuava, ensinar a criança a se relacionar com a água de maneira segura é uma camada importante de proteção, embora nunca substitua a supervisão dos adultos. “A natação não elimina o risco de afogamento e não substitui a supervisão. Mas quanto mais a pessoa conhece a água, entende seus limites e desenvolve autonomia para se movimentar nela, maior é a possibilidade de reagir diante de uma situação de risco. É uma habilidade que pode fazer diferença.”

A Natação Inclusiva integra as ações da ACESA Capuava voltadas à promoção da qualidade de vida e à inclusão de pessoas com deficiência. A instituição atua há mais de duas décadas em Valinhos e região, com atendimento multidisciplinar nas áreas de saúde, educação, assistência social, cultura e esporte. O projeto Natação Inclusiva III - 71000.072366/2024-12 - só foi possível realizar pois temos recurso da Lei Federal de Incentivo ao Esporte e patrocínios das empresas como KEMIN, Sicoob, EATON, Surtec, Chem Trend, Myrallis, que nos proporcionaram a realização.

 

Atividades adaptadas para cada participante

As aulas são organizadas em grupos dos atendidos pela entidade, considerando principalmente a idade, as características e a disponibilidade dos participantes. Crianças a partir dos sete anos, jovens e adultos são distribuídos de acordo com as possibilidades do projeto e também com a rotina das famílias.

A estrutura foi pensada para oferecer segurança e acompanhamento próximo. Cada turma conta com dois profissionais de Educação Física, um fisioterapeuta e dois monitores de apoio.

A proposta não é exigir que todos façam os mesmos movimentos ou alcancem os mesmos resultados. As atividades são desenvolvidas de forma lúdica, simples e adaptada, permitindo que cada participante evolua dentro de suas possibilidades.

“Temos pessoas com diferentes níveis de autonomia, diferentes formas de comunicação e diferentes respostas aos estímulos. Por isso, a atividade precisa ser acessível, segura e, principalmente, prazerosa. Queremos que cada participante se sinta protegido para experimentar e aprender”, explica Michel Nascimento.

Os materiais utilizados também seguem essa lógica. São equipamentos seguros, de fácil manuseio e, sempre que possível, familiares aos participantes, como pranchinhas e flutuadores tipo espaguete. O objetivo é tornar a experiência mais confortável e facilitar a adaptação ao ambiente aquático.

Mais autonomia para quem pratica, mais tranquilidade para quem cuida

Para as famílias, os resultados não ficam restritos ao momento da aula. A evolução de habilidades motoras, a maior familiaridade com a água e o desenvolvimento da autonomia podem representar também mais segurança e tranquilidade para pais e responsáveis. “Para uma família que convive diariamente com os cuidados de uma pessoa com deficiência, saber que ela está desenvolvendo habilidades na água traz uma sensação diferente. Não significa deixar de acompanhar ou supervisionar, mas saber que ela está mais preparada, mais confiante e conhecendo melhor os próprios limites”, afirma o coordenador.

Além do aspecto relacionado à segurança, a atividade aquática pode contribuir para força, resistência, equilíbrio, coordenação motora, consciência corporal, mobilidade e relaxamento muscular. Também pode favorecer a socialização, a autoestima, a concentração e a participação em atividades de lazer.

Para a ACESA Capuava, a proposta da Natação Inclusiva é justamente unir esses diferentes benefícios: oferecer esporte, estimular autonomia, contribuir para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, preparar a pessoa para uma relação mais segura com a água. “Quando falamos em inclusão, não podemos pensar apenas em colocar a pessoa dentro da piscina. Precisamos pensar no que ela pode conquistar a partir dessa experiência. Pode ser um movimento, uma interação, uma nova habilidade ou simplesmente perder o medo da água. Cada conquista tem valor”, conta Fernanda Teixeira, presidente da entidade.

Crítica de cinema por Vicente Neto - Filme: Digger

Digger

Quando assisti ao trailer, e já havia ouvido falar deste filme, fiquei realmente muito curioso e ansioso em assisti-lo. Imaginava ser algo muito bom e curioso (pelo perfil da personagem principal).

Com um Tom Cruise transfigurado a dar vida a Digger Rockwell, um bilionário autocentrado e pouco escrupuloso, o realizador mexicano Alejandro G. Iñárritu constrói uma sátira sobre o poder e a ambição desmedida.

Quando uma operação de perfuração de petróleo das empresas de Rockwell na Groenlândia provoca o desprendimento de uma enorme massa de gelo, dando origem a um desastre ambiental sem precedentes, o magnata se vê obrigado a enfrentar as consequências da tragédia. Mas, por detrás do aparente empenho em controlar os danos, está sobretudo a vontade de transformar a crise numa oportunidade para se afirmar aos olhos do mundo como o grande salvador da humanidade.

Fiquei decepcionado! O filme é bastante cansativo! Diálogos longos e umas situações desinteressantes. Até quase o final, realmente estava achando muito ruim. Depois, as coisas são melhores explicadas (não vou aqui dar spoiler), dá um sentido ao filme e ameniza, mas ainda assim, não é um filme que eu assistiria novamente, não.

Vicente Neto

Coluna Crítica de Cinema

Engenheiro que, desde pequeno, é apaixonado por cinema. Procura assistir a todos os filmes possíveis na telona e, se deixa escapar, assiste em streaming. Costuma sempre ver o lado bom de cada filme que assiste, mesmo se este não agradar muito. Suas críticas são praticamente uma conversa entre amigos, comentando do filme que assistiu.


Depressão nem sempre parece tristeza: Sinais silenciosos que merecem atenção- Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Quando pensamos em depressão, é comum imaginar alguém chorando, isolado ou sem conseguir realizar as atividades do dia a dia. Mas nem sempre ela se apresenta dessa forma.

Muitas pessoas continuam trabalhando, cuidando da família, cumprindo compromissos e até sorrindo. Por fora, parecem estar bem. Por dentro, porém, podem estar vivendo um profundo desgaste emocional.

A depressão pode aparecer de maneira silenciosa.

Em alguns casos, o que surge primeiro não é a tristeza intensa, mas uma sensação constante de cansaço, falta de energia, irritabilidade, dificuldade de concentração ou perda de interesse pelas coisas que antes davam prazer.

A pessoa pode perceber que está vivendo “no automático”.

Ela faz o que precisa ser feito, mas sem entusiasmo. Levanta, trabalha, resolve problemas, cuida dos outros e segue a rotina, porém sente como se algo dentro dela tivesse perdido a cor.

Alguns sinais que merecem atenção

Entre os sinais que podem aparecer estão:

* perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram importantes;

* cansaço persistente, mesmo após descansar;

* alterações no sono, como insônia ou vontade de dormir demais;

* irritabilidade ou impaciência frequente;

* dificuldade para se concentrar ou tomar decisões;

* sensação de vazio ou desconexão;

* isolamento e vontade de se afastar das pessoas;

* sentimento de culpa ou inutilidade;

* alterações no apetite;

* pensamentos frequentes de desesperança.

Ter um ou outro desses sinais isoladamente não significa necessariamente estar com depressão. O que importa é observar a intensidade, a frequência, o tempo de duração e o impacto que esses sintomas estão provocando na vida.

Quando a pessoa continua funcionando, o sofrimento pode passar despercebido

Um dos aspectos mais difíceis é que muitas pessoas aprendem a esconder o sofrimento.

Elas continuam sendo produtivas, responsáveis e disponíveis para todos. Frequentemente escutam frases como: “Mas você parece tão bem” ou “Você tem tudo, por que estaria triste?”.

Esse tipo de comentário pode aumentar ainda mais a culpa e dificultar o pedido de ajuda.

Sofrimento emocional não precisa ser visível para ser real.

Às vezes, a pessoa passou tanto tempo sendo forte que já não percebe o quanto está cansada.

O corpo também pode dar sinais

A saúde emocional e o corpo estão profundamente relacionados.

Algumas pessoas percebem tensão muscular constante, dores de cabeça, alterações gastrointestinais, sensação de peso no corpo, dificuldade para respirar profundamente ou um cansaço que parece não passar.

Por isso, olhar para a saúde mental também envolve aprender a escutar os sinais que o corpo está apresentando.

Procurar ajuda não significa esperar chegar ao limite

Muitas pessoas chegam à terapia somente quando sentem que não conseguem mais continuar.

Mas não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável para buscar ajuda.

Quanto antes esses sinais forem reconhecidos, maior a possibilidade de compreender o que está acontecendo e construir estratégias de cuidado.

A psicoterapia pode ajudar a identificar padrões emocionais, compreender fatores que estão contribuindo para o sofrimento e desenvolver novas formas de lidar com as emoções e com as situações da vida.

Em alguns casos, uma avaliação médica ou psiquiátrica também pode ser necessária.

Uma pergunta importante

Talvez a pergunta não seja apenas:

“Eu estou triste?”

Mas sim:

“Há quanto tempo eu não me sinto verdadeiramente bem?”

Se você percebe que está apenas cumprindo tarefas, sem energia, sem prazer ou emocionalmente desconectada, talvez seja importante olhar para isso com mais atenção.

Você não precisa esperar chegar ao limite para começar a cuidar da sua saúde emocional.

Elisa Pereira

Psicóloga clínica | CRP 06/45961-4

Mais de 25 anos de experiência clínica

Atendimento psicológico presencial em Vinhedo/SP e on-line.           Contato  19 981281661  @psi.elisape

Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Caro Michele, Natália Ginsburg e Filme: Odisseia

Dica de livro: Caro Michele, Natália Ginsburg

Apesar de ocupar o título do livro, Michele quase não aparece neste romance. O leitor conhece a vida do personagem através das cartas que recebe, principalmente de sua mãe, Adriana, da irmã, Angelica, e de amigos.
Ambientado em Roma no início dos anos 1970 ― entre uma tentativa de golpe de Estado e a vitória dos fascistas ―, este livro faz com que a violência política se espalhe sorrateiramente pelo que se narra como um gás que sufoca e cega. A clareza reticente da escrita de Natalia Ginzburg, sua maneira implícita de contar uma história, encontra seu auge nesta obra magnética.

 “A voz de Natalia Ginzburg chega a nós com absoluta clareza em meio aos véus do tempo e da linguagem.” ― Rachel Cusk

 “Estou completamente encantada com o estilo de Ginzburg ― sua franqueza misteriosa, sua capacidade de revelar as coisas sem nunca ser artificial ou fria, mas sempre necessária, honesta, cristalina.” ― Maggie Nelson

 “As cartas que compõem este romance ― charmosas, hesitantes, sufocantes, fúteis, desagradáveis ― são o material rico e maravilhoso das esperanças e aflições de uma família, seu convívio cheio de vida, suas contradições e segredos.” ― The Paris Review

Fonte: Amazon

Dica de filme: Odisseia

Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

Bibliotecária e Psicóloga formada há alguns anos. Atua na área de psicologia com consultório e no SOS Ação mulher e família como Psicóloga voluntária. Cursou biblioteconomia por adorar os livros e assim ficou conhecendo mais profundamente a história literária. Através de filmes e livros consegue entrar em mundos reais, imaginários , fantásticos o que deixa o coração e a mente livres para conhecer, acreditar e principalmente sonhar. Email: luser8363@gmail.com

O que a Equipotel revela sobre o futuro dos espaços de hospitalidade

Feira mostra que tecnologia, sustentabilidade e novas propostas de mobiliário estão transformando a maneira de pensar os ambientes de hotelaria

Por Tibeti Caviglioni Daniel*

Entre os dias 15 e 18 de setembro, o Expo Center Norte, em São Paulo, recebeu a 63ª edição da Equipotel, um dos principais eventos de hospitalidade da América Latina e o mais tradicional do setor no Brasil. A feira reúne empresas, profissionais, arquitetos, designers, gestores e especialistas de segmentos como hotelaria, turismo, alimentação, bem-estar e serviços para apresentar produtos, soluções e ideias que ajudam a antecipar os próximos movimentos do mercado.

A edição de 2026 reuniu mais de 500 marcas e recebeu 23.102 visitantes, 5% acima do público registrado no ano anterior. A estimativa de negócios gerados pelos expositores chegou a R$ 320 milhões, crescimento de 14,3% em relação a 2025.

Mas uma feira como a Equipotel pode ser observada por outra perspectiva. Para quem trabalha com design, ela funciona também como um retrato de como os espaços estão mudando.

É nos eventos do setor que tendências que ainda parecem distantes começam a ganhar forma concreta: em novos materiais, soluções construtivas, configurações de ambientes e, principalmente, em uma nova maneira de pensar o mobiliário.

O hotel está deixando de parecer um hotel

Durante muito tempo, o mobiliário para hotelaria precisou responder principalmente a três necessidades: resistência, funcionalidade e facilidade de manutenção. São características que continuam fundamentais em ambientes submetidos a um uso intenso.

Mas elas já não são suficientes.

O que se percebe hoje é uma aproximação cada vez maior entre a linguagem dos hotéis e a de outros espaços. Residências, restaurantes, escritórios, clubes e áreas de convivência passam a compartilhar referências, materiais e soluções.

O mobiliário hoteleiro deixa, assim, de seguir necessariamente uma estética própria e facilmente reconhecível.

Surgem peças com desenho mais autoral, combinações de materiais naturais e estruturas metálicas mais leves, além de soluções pensadas para diferentes possibilidades de uso. Em vez de simplesmente preencher um ambiente, o móvel passa a contribuir para sua identidade.

Essa mudança é importante porque o hóspede também mudou.

O design como parte da experiência

Hoje, a experiência de hospedagem começa muito antes da porta do quarto. Ela está no lobby, no restaurante, na área de lazer, no espaço externo e nos lugares de convivência.

O ambiente passou a comunicar.

A escolha do mobiliário, dos materiais e das formas ajuda a transmitir a personalidade de um empreendimento e pode fazer com que um espaço seja percebido como mais acolhedor, sofisticado, contemporâneo ou conectado à cultura local.

Por isso, design e hospitalidade estão cada vez mais próximos.

Um dos movimentos que chamam atenção é justamente a valorização dos espaços externos. Eles deixam de ser áreas complementares e passam a ser entendidos como extensões da experiência oferecida pelo empreendimento.

Isso abre espaço para novas soluções de mobiliário, especialmente peças capazes de combinar resistência, conforto e linguagem estética. Estruturas em alumínio associadas à madeira, por exemplo, permitem explorar simultaneamente leveza visual, durabilidade e sensação de acolhimento -  características importantes para áreas externas de hotéis, resorts e espaços de convivência.

Mais do que escolher um móvel bonito, o projeto passa a considerar como aquela peça será utilizada, por quem, em qual ambiente e durante quanto tempo.

Personalização contra a padronização

Outra mudança importante é o crescimento de soluções desenvolvidas sob medida.

A lógica de simplesmente escolher produtos de um catálogo começa a dividir espaço com projetos em que mobiliário, arquitetura e identidade visual são pensados conjuntamente. Dimensões, ergonomia, materiais e características de uso passam a ser definidos de acordo com o conceito de cada empreendimento.

Isso representa uma mudança significativa para a hotelaria.

Em um mercado no qual muitos serviços podem ser semelhantes, criar ambientes com personalidade passa a ser uma forma de diferenciação. O mobiliário deixa de ser apenas um item de infraestrutura e passa a fazer parte da narrativa daquele lugar.

É uma tendência que dialoga especialmente com hotéis boutique, resorts e empreendimentos que procuram oferecer experiências mais exclusivas.

Tecnologia e sustentabilidade também chegam ao design

A Equipotel mostrou ainda que o futuro da hospitalidade não pode ser pensado separando design, tecnologia e sustentabilidade.

A programação da edição deste ano dedicou espaços a tecnologia, inovação e ambientes conectados. Ao mesmo tempo, a feira ampliou a discussão sobre sustentabilidade com o lançamento do Selo ESG para Hospitalidade.

Para o design, essa discussão é particularmente relevante.

Projetar um ambiente hoje significa pensar não apenas em sua aparência, mas também na durabilidade dos produtos, na escolha dos materiais, na manutenção e na capacidade de acompanhar mudanças de uso.

O conceito de sustentabilidade, portanto, também passa pela longevidade.

Um móvel que permanece relevante por mais tempo, que pode ser reparado ou adaptado e que continua adequado ao espaço reduz a necessidade de substituições constantes e contribui para projetos mais conscientes.

O futuro da hospitalidade é mais híbrido

Talvez uma das principais conclusões que a Equipotel deixa seja justamente essa: os espaços estão ficando menos rígidos.

Um lobby pode ser lugar de chegada, encontro, trabalho e convivência. Uma área externa pode funcionar para descanso, alimentação e eventos. Um mobiliário pode deixar de ter uma única função e participar de diferentes configurações.

Essa flexibilidade acompanha uma mudança no próprio comportamento das pessoas.

Queremos espaços que se adaptem, que tenham identidade e que sejam capazes de oferecer diferentes experiências sem perder conforto e funcionalidade.

E é nesse cenário que o design ganha ainda mais relevância.

A Equipotel não apresenta apenas o que a hotelaria está comprando hoje. Ela ajuda a revelar aquilo que o setor começa a imaginar para amanhã.

E, quando observamos os materiais, os formatos e as novas propostas de mobiliário apresentados na feira, fica evidente que o futuro da hospitalidade não será construído apenas por tecnologias mais avançadas ou serviços mais eficientes.

Será construído também por espaços com mais identidade, mais flexibilidade e mais personalidade.

Porque, no fim, receber bem não é apenas oferecer um lugar para ficar.

É criar um lugar que as pessoas tenham vontade de permanecer, experimentar e lembrar.

Tibeti Caviglioni Daniel é CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.

Sobre a Mavie

A Mavie Móveis é uma marca brasileira de mobiliário para áreas internas e externas, com fábrica própria em Campinas (SP). Nascida da experiência de mais de 15 anos como fornecedora de móveis para alguns dos principais players do mercado nacional, a empresa lançou sua marca autoral em 2023, unindo design contemporâneo, produção artesanal, personalização e alta qualidade. Atende consumidores finais, arquitetos, designers de interiores, paisagistas e clientes corporativos em todo o Brasil, desenvolvendo soluções para residências, hotéis, restaurantes, condomínios, incorporadoras, clubes e empresas. Com fabricação própria, garantia de cinco anos e foco em conforto, durabilidade e excelência construtiva, a Mavie transforma ambientes por meio de móveis pensados para acompanhar os momentos e as necessidades únicas de cada cliente, materializadas em momentos que realmente importam.

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Tibeti Caviglioni Daniel

Coluna Design e inovaçâo

 CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.