Por: Tibeti Caviglioni Daniel*
Quando pensamos em design, é comum que as primeiras associações sejam estética, funcionalidade e conforto. Mas existe uma dimensão menos evidente e cada vez mais relevante nessa relação: a capacidade que os espaços e os objetos têm de influenciar a maneira como nos comportamos.
A forma como uma cadeira é posicionada, a distância entre dois assentos, a escolha de uma mesa, a possibilidade de movimentar um móvel ou até a criação de um pequeno espaço de recolhimento podem interferir na maneira como trabalhamos, descansamos, conversamos e nos relacionamos.
É nesse ponto que acredito que o mobiliário deixa de ser apenas um elemento que ocupa o ambiente e passa a participar ativamente da experiência de quem o utiliza.
Quando penso em design, não estou falando apenas sobre criar um objeto bonito. Estou falando sobre criar possibilidades de uso e de interação. Um móvel pode estimular uma conversa, favorecer a concentração, proporcionar uma pausa ou simplesmente fazer com que uma pessoa se sinta mais acolhida naquele espaço.
A maneira como organizamos um ambiente transmite mensagens, mesmo quando não percebemos. Uma sala com assentos voltados uns para os outros sugere encontro. Uma área mais reservada convida à concentração. Uma mesa compartilhada pode estimular colaboração. Um sofá amplo aproxima e favorece a convivência.
Por isso, acredito que o design de interiores e o mobiliário têm uma relação cada vez mais próxima com o comportamento humano. O ambiente não determina nossas ações, mas cria estímulos, possibilidades e experiências.
Quando o espaço também comunica
No universo corporativo, essa percepção ganhou ainda mais importância. Com a transformação das relações de trabalho, os escritórios passaram a precisar atender a diferentes momentos: concentração, reuniões, colaboração, criatividade e também pausas.
A empresa pode dizer que valoriza colaboração, criatividade e bem-estar, mas o espaço também precisa comunicar isso. Se todo o ambiente é rígido, individualizado e não oferece possibilidades de interação, existe uma contradição entre o discurso e a experiência.
O espaço físico precisa acompanhar aquilo que a empresa deseja construir em sua cultura. Se queremos estimular troca, precisamos criar oportunidades para que as pessoas se encontrem. Se precisamos de concentração, devemos oferecer ambientes que favoreçam esse estado. Se falamos em bem-estar, é importante que existam lugares onde seja possível fazer uma pausa.
Nesse sentido, o mobiliário tem um papel muito importante. Ele ajuda a organizar os fluxos, estabelecer distâncias, criar aproximações e oferecer diferentes possibilidades de uso.
Em casa, o mobiliário também conta histórias
A mesma lógica aparece nos ambientes residenciais. A casa contemporânea deixou de ter funções tão rígidas. A sala pode ser escritório durante o dia e espaço de convivência à noite. A varanda pode ser lugar para receber amigos, trabalhar ou simplesmente observar a cidade. Um mesmo ambiente pode assumir diferentes papéis ao longo do dia.
Nesse contexto, móveis versáteis e ambientes capazes de acompanhar mudanças de comportamento ganham importância. Mais do que preencher espaços, eles ajudam a construir rituais.
Uma poltrona próxima à janela pode transformar alguns minutos de descanso em um hábito. Uma mesa que reúne a família pode favorecer conversas que dificilmente aconteceriam diante de telas. Uma rede ou um balanço pode introduzir no cotidiano uma experiência de pausa e contemplação.
São pequenas decisões que, repetidas diariamente, acabam participando da maneira como vivemos.
É justamente por isso que acredito que projetar um móvel exige olhar para além de sua forma. É preciso pensar em como ele será usado, por quem, em quais momentos e que tipo de experiência poderá proporcionar.
Conforto também é emocional
Durante muito tempo, conforto foi associado principalmente à ergonomia: uma cadeira adequada, uma boa postura, dimensões corretas. Esses aspectos continuam fundamentais, mas hoje acredito que o conceito de conforto pode ser ampliado.
Existe também o conforto de sentir que aquele ambiente acolhe, representa e respeita quem o utiliza.
Há uma diferença entre um móvel confortável e uma experiência confortável. A experiência envolve a forma como a pessoa se sente naquele ambiente, se consegue relaxar, se concentrar, interagir ou ter privacidade quando precisa.
Essa visão aproxima o design de temas como psicologia ambiental e neuroarquitetura, áreas que ajudam a compreender como as características dos ambientes podem influenciar percepção, emoções e comportamento.
Não se trata de criar espaços que determinem como devemos agir, mas de compreender que nossas escolhas espaciais têm consequências.
Um ambiente pode estimular encontros ou favorecer a introspecção. Pode gerar sensação de acolhimento ou de distanciamento. Pode facilitar uma atividade ou torná-la mais difícil.
Por isso, acredito que pensar sobre comportamento deve fazer parte do processo de criação.
Criar ambientes que ofereçam escolhas
Talvez uma das principais mudanças no design contemporâneo seja justamente essa: criar ambientes que ofereçam escolhas.
Em vez de um espaço com uma única maneira de ser utilizado, ganha força a ideia de ambientes flexíveis, capazes de acompanhar diferentes necessidades e estados de espírito.
Afinal, nem sempre queremos conversar. Nem sempre queremos trabalhar em grupo. Nem sempre queremos estar sozinhos.
Um bom projeto consegue oferecer essas possibilidades sem que seja necessário transformar completamente o ambiente.
O design precisa acompanhar a vida real, que é dinâmica. As pessoas mudam de atividade, de humor e de necessidade ao longo do dia. Quanto mais um espaço consegue oferecer possibilidades, mais ele se torna humano.
Essa flexibilidade também muda a maneira como pensamos os móveis. Uma peça pode ter diferentes funções, mudar de posição, criar novas configurações ou simplesmente permitir que uma pessoa escolha como deseja ocupar aquele espaço.
No fundo, estamos falando de liberdade de uso.
O futuro do mobiliário é mais humano
Talvez o grande desafio do design contemporâneo não seja criar móveis cada vez mais tecnológicos ou visualmente surpreendentes, mas entender melhor as pessoas para quem eles são destinados.
Em um mundo marcado pelo excesso de estímulos, pela aceleração da rotina e pela mistura cada vez maior entre vida pessoal e profissional, criar espaços que favoreçam equilíbrio, conexão e bem-estar passa a ser também uma responsabilidade do design.
Por isso, acredito que o futuro do mobiliário está menos relacionado à quantidade de recursos que uma peça possui e mais à qualidade da experiência que ela proporciona.
No final, um móvel continua sendo um objeto. Mas a experiência proporcionada por ele pode ser muito maior.
Pode aproximar pessoas. Criar uma pausa. Estimular uma conversa. Favorecer a concentração. Dar sensação de pertencimento.
E é justamente aí que o design deixa de apenas ocupar o espaço para começar, de fato, a transformar a maneira como vivemos.
*Tibeti Caviglioni Daniel é CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
Sobre a Mavie
A Mavie Móveis é uma marca brasileira de mobiliário para áreas internas e externas, com fábrica própria em Campinas (SP). Nascida da experiência de mais de 15 anos como fornecedora de móveis para alguns dos principais players do mercado nacional, a empresa lançou sua marca autoral em 2023, unindo design contemporâneo, produção artesanal, personalização e alta qualidade. Atende consumidores finais, arquitetos, designers de interiores, paisagistas e clientes corporativos em todo o Brasil, desenvolvendo soluções para residências, hotéis, restaurantes, condomínios, incorporadoras, clubes e empresas. Com fabricação própria, garantia de cinco anos e foco em conforto, durabilidade e excelência construtiva, a Mavie transforma ambientes por meio de móveis pensados para acompanhar os momentos e as necessidades únicas de cada cliente, materializadas em momentos que realmente importam.
Comunicação com a Imprensa:
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19 99989-8535
Tibeti Caviglioni Daniel
Coluna Design e inovaçâo
CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
