O que podemos construir depois das eleições? Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Quando as urnas se fecham e o resultado chega, diferentes sentimentos encontram espaço dentro de nós. Para alguns, há alegria e esperança. Para outros, frustração, preocupação ou tristeza. E há também quem esteja apenas cansado das discussões e queira reencontrar um pouco de tranquilidade.

Por trás de cada voto existem histórias, necessidades, valores e expectativas. Reconhecer isso pode nos ajudar a olhar para quem pensa diferente com mais humanidade.

Depois de um período de tantas opiniões e disputas, fica uma pergunta: o que podemos construir a partir de agora?

Podemos começar pela maneira como convivemos. Uma conversa em família, uma mensagem no grupo de amigos ou um comentário nas redes sociais são oportunidades de escolher como vamos nos posicionar. Podemos expressar nossas convicções com firmeza e, ao mesmo tempo, preservar a dignidade de quem está do outro lado.

Respeitar alguém não exige concordar com tudo. Exige reconhecer que a diferença não nos autoriza a humilhar, ameaçar ou ferir.

Construir também é reconhecer o que sentimos

Se o resultado trouxe decepção, permita-se reconhecer esse sentimento sem se cobrar uma aceitação imediata. Se trouxe alegria, celebre com sensibilidade diante de quem vive esse momento de outra maneira.

Antes de responder a uma provocação, vale fazer uma pausa e perceber: “O que estou sentindo? O que desejo comunicar? Essa conversa tem espaço para escuta?”

Às vezes, continuar o diálogo será possível. Em outras situações, será necessário estabelecer um limite e retomar o assunto em outro momento. Cuidar dos vínculos também envolve perceber quando uma conversa deixou de ser respeitosa.

A esperança ganha forma nas atitudes

Há decisões coletivas que não dependem apenas de nós. Ainda assim, podemos participar da vida em sociedade: acompanhar propostas, cobrar compromissos, buscar informações responsáveis e contribuir com a comunidade.

Também construímos algo quando acolhemos alguém em sofrimento, dividimos responsabilidades em casa e oferecemos uma escuta atenta. São gestos que tornam concretos os valores que desejamos ver no mundo.

A esperança pode caminhar junto com a preocupação e com o senso crítico. Ela ganha força quando encontramos maneiras possíveis de agir, mesmo diante das incertezas.

Que relações queremos cultivar?

Depois das eleições, continuaremos compartilhando famílias, espaços de trabalho, bairros e projetos. Precisaremos conversar, resolver problemas e encontrar caminhos em comum.

Talvez este seja um bom momento para observar o que queremos cultivar nessas relações: mais curiosidade antes do julgamento, mais responsabilidade com as palavras e mais disposição para reconhecer a humanidade do outro.

Hoje, além de olhar para o resultado, podemos olhar para nossas próprias escolhas.

Qual atitude está ao seu alcance para tornar a convivência mais respeitosa e a vida de alguém um pouco melhor?

Elisa Maria Pereira

Coluna Psicologia

Psicóloga , Palestrante e Mentora de Casais Especialista em Dinâmica emocional e relacional @psi.elisape

Ansiedade além dos pensamentos: como corpo e mente participam da regulação emocional - Coluna Psicologia por Dra Elisa Pereira

Você já percebeu que, mesmo tentando controlar seus pensamentos, seu corpo continua inquieto?

O coração acelera, os ombros ficam tensos, a respiração se torna curta e, muitas vezes, surge uma sensação de que algo ruim está prestes a acontecer.

É como se a mente quisesse descansar, mas o corpo continuasse em estado de alerta.

Essa experiência é mais comum do que imaginamos e revela algo importante: a ansiedade não acontece apenas na mente. Ela também se manifesta no corpo.

Ao longo dos meus 25 anos de experiência na Psicologia Clínica, uma das questões que considero fundamentais no processo terapêutico é compreender que pensamentos, emoções e sensações corporais estão profundamente conectados.

Quando o corpo entra em estado de alerta

A ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras ou desafiadoras.

Quando identificamos um possível perigo, nosso sistema nervoso autônomo participa da preparação do organismo para reagir.

A frequência cardíaca pode aumentar, os músculos ficam mais tensionados, a respiração se modifica e a atenção se direciona para possíveis ameaças.

Esse mecanismo é importante para nossa sobrevivência.

O problema surge quando esse estado de alerta se torna frequente, intenso ou desproporcional às circunstâncias.

Muitas pessoas passam a viver como se precisassem estar preparadas o tempo todo: antecipando problemas, tentando controlar situações e sentindo dificuldade para relaxar.

Com o passar do tempo, essa ativação pode contribuir para cansaço, irritabilidade, dificuldades de concentração, alterações no sono e desconfortos físicos.

O corpo não está separado da nossa história emocional. Ele participa da maneira como vivenciamos e respondemos às experiências.

Por que pensar positivo nem sempre é suficiente?

É comum ouvir orientações como:

“Pare de pensar nisso.”

“Você precisa se acalmar.”

“Não fique tão preocupada.”

Embora essas frases possam ter boas intenções, a regulação emocional não acontece simplesmente por uma decisão racional.

Quando estamos ansiosos, nossos pensamentos podem intensificar as sensações físicas, enquanto essas sensações também podem alimentar novas preocupações.

Por exemplo, uma pessoa percebe o coração acelerado e interpreta essa sensação como sinal de que algo grave está acontecendo. Essa interpretação pode aumentar o medo e intensificar ainda mais a resposta corporal.

Forma-se, assim, um ciclo entre pensamentos, emoções e reações fisiológicas.

Por isso, aprender a lidar com a ansiedade envolve reconhecer esse ciclo, desenvolver novas formas de interpretar as experiências e ampliar a capacidade de responder às próprias emoções.

O que significa regular as emoções?

Regulação emocional não significa deixar de sentir medo, tristeza, raiva ou ansiedade.

Significa desenvolver recursos para reconhecer, compreender e lidar com essas emoções de maneira mais consciente e flexível.

Uma pessoa emocionalmente regulada não é aquela que permanece tranquila o tempo todo, mas aquela que consegue perceber suas reações e encontrar formas mais saudáveis de responder às situações.

Esse processo também envolve respeitar limites, reconhecer necessidades e compreender padrões emocionais construídos ao longo da vida.

Em alguns casos, experiências anteriores podem contribuir para que determinadas situações sejam interpretadas como ameaçadoras, mesmo quando não representam um perigo imediato.

É nesse ponto que o autoconhecimento e o processo psicoterapêutico podem fazer diferença.

Como ajudar corpo e mente a encontrar mais equilíbrio?

Existem algumas práticas que podem favorecer a regulação emocional no cotidiano.

1. Reconheça os sinais do seu corpo

Observe como seu organismo reage em momentos de estresse.

Sua mandíbula fica contraída? Seus ombros permanecem elevados? Sua respiração se torna rápida?

Desenvolver essa percepção é um primeiro passo para reconhecer quando você precisa desacelerar.

2. Utilize a respiração de maneira consciente

A respiração lenta e confortável pode auxiliar na redução da ativação fisiológica associada ao estresse.

Uma possibilidade é inspirar suavemente contando até quatro e expirar contando até seis, sem forçar ou prender o ar.

Repita algumas vezes, respeitando seu ritmo. Caso sinta desconforto ou tontura, interrompa o exercício.

A intenção não é eliminar imediatamente a ansiedade, mas oferecer ao organismo uma oportunidade de encontrar maior estabilidade.

3. Identifique seus pensamentos automáticos

Pergunte a si mesma:

“O que estou imaginando que pode acontecer?”

“Esse pensamento representa um fato ou uma possibilidade?”

“Existe outra maneira de compreender essa situação?”

Essas perguntas podem ajudar a reduzir interpretações catastróficas e ampliar a flexibilidade emocional.

4. Respeite seus limites

Nem toda ansiedade está relacionada apenas à maneira como pensamos.

Às vezes, existe uma rotina excessivamente exigente, uma relação desgastante ou uma sobrecarga de responsabilidades que precisa ser reconhecida.

Regular as emoções também significa fazer mudanças concretas na maneira como vivemos.

5. Procure acompanhamento psicológico quando necessário

Quando a ansiedade se torna frequente e começa a comprometer o sono, o trabalho, os relacionamentos ou a qualidade de vida, é importante buscar avaliação profissional.

A psicoterapia pode ajudar a compreender os fatores envolvidos na ansiedade, identificar padrões emocionais e desenvolver estratégias de enfrentamento adequadas às necessidades de cada pessoa.

Corpo e mente precisam ser compreendidos juntos

No meu trabalho clínico, integro a compreensão dos padrões emocionais, dos pensamentos e das manifestações corporais, respeitando a singularidade de cada pessoa.

Essa perspectiva reconhece que não basta observar apenas o sintoma. É importante compreender também os contextos, as experiências e os padrões que podem estar contribuindo para o sofrimento.

Muitas vezes, uma pessoa aprendeu a ser forte, assumir responsabilidades, evitar conflitos e ignorar suas próprias necessidades.

Com o tempo, essa forma de funcionar pode contribuir para um estado persistente de tensão e sobrecarga.

O processo terapêutico oferece um espaço para reconhecer essas experiências, desenvolver novas possibilidades de resposta e construir uma relação mais saudável consigo mesma.

Uma reflexão para finalizar

Talvez você esteja tentando silenciar seus pensamentos quando, na verdade, também precisa aprender a reconhecer os sinais do seu corpo.

Talvez esteja exigindo de si mesma tranquilidade quando sua rotina precisa de mudanças.

E talvez esteja buscando controlar suas emoções quando o primeiro passo seja compreender o que elas estão comunicando.

Cuidar da ansiedade não é apenas aprender a pensar de maneira diferente. É também desenvolver uma relação mais consciente com seu corpo, suas emoções e sua própria história.

Você não precisa esperar chegar ao limite para começar a cuidar de si.

A saúde emocional merece atenção antes que o sofrimento se torne insuportável.

Elisa Pereira

Psicóloga Clínica | 25 anos de experiência

Psicoterapia Corporal e Terapia do Esquema

Criadora do Método Essência do Cedro

Atendimentos presenciais em Vinhedo/SP e on-line

Além do Outubro Rosa: a mulher precisa ser cuidada por inteiro - Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Além do Outubro Rosa: a mulher precisa ser cuidada por inteiro

Por Elisa Pereira — Psicóloga

Em outubro, o rosa ganha espaço nas campanhas, nas redes sociais e nas conversas sobre a saúde da mulher. Esse movimento traz um convite importante ao cuidado e também abre espaço para uma pergunta: como está a mulher por trás de tantas responsabilidades?

Aquela que organiza a rotina da casa, trabalha, acompanha os filhos, cuida dos pais e percebe quando alguém precisa de ajuda. Mas que, muitas vezes, deixa suas próprias necessidades para depois.

Cuidar da mulher por inteiro significa olhar para sua saúde física e também acolher suas emoções, sua história, seus vínculos e suas condições de vida.

Quando cuidar de si fica para depois

“Agora não tenho tempo.”
“Primeiro preciso resolver as coisas da família.”
“Quando tudo se acalmar, eu me cuido.”

Essas frases podem fazer parte da rotina de muitas mulheres. Nem sempre por uma escolha: falta de recursos, jornadas de trabalho e ausência de apoio também dificultam o acesso ao cuidado.

Há, ainda, mulheres que aprenderam a associar seu valor à capacidade de dar conta de tudo. Para elas, descansar pode provocar culpa, pedir ajuda pode parecer fraqueza e reconhecer um limite pode trazer a sensação de estar decepcionando alguém.

Por isso, falar de autocuidado exige mais do que recomendar uma pausa. É preciso conversar sobre divisão de responsabilidades, apoio e espaço para as próprias necessidades.

A mulher não precisa ser forte o tempo todo

Durante uma investigação médica ou um tratamento, podem surgir preocupações com o futuro, com a família e com as mudanças na rotina. Cada mulher vive esse momento de uma maneira.

Algumas desejam conversar. Outras precisam de silêncio. Algumas choram, outras se irritam, e há quem ainda não consiga nomear o que sente.

Acolher significa permitir essas diferenças, sem exigir coragem constante ou uma atitude positiva a qualquer custo.

Em vez de dizer apenas “você precisa ser forte”, podemos oferecer uma presença mais próxima: “Você pode falar comigo. O que está mais difícil hoje?”

A mulher merece um espaço em que não precise esconder o medo para tranquilizar quem está ao seu redor.

O corpo também carrega uma história

O adoecimento e os tratamentos podem trazer mudanças na relação com o corpo. A aparência, a intimidade e a forma de se reconhecer no espelho podem adquirir novos significados.

Nesse processo, comentários bem-intencionados nem sempre acolhem. Dizer “o importante é que você está viva”, por exemplo, pode dificultar a expressão de uma tristeza que também precisa ser ouvida.

É possível sentir gratidão pela vida e, ao mesmo tempo, sofrer pelas mudanças vividas. Um sentimento não anula o outro.

O INCA recomenda que o cuidado à mulher com câncer de mama respeite suas expectativas, autonomia e dignidade. Essa orientação reforça a importância de escutar a mulher e considerar suas necessidades ao longo da assistência.

Quem cuida também precisa receber cuidado

O apoio se torna concreto quando chega à rotina. Preparar uma refeição, dividir tarefas, acompanhar uma consulta quando ela desejar ou ajudar com os filhos pode aliviar parte da sobrecarga.

Perguntar “como posso ajudar?” é importante. Oferecer uma ajuda específica também pode facilitar: “Posso cuidar do jantar hoje?” ou “Você gostaria de companhia para a consulta?”

Ao mesmo tempo, ajudar exige respeitar escolhas. A mulher continua tendo voz sobre seu corpo, sua privacidade e sua vida.

Receber cuidado deve ampliar seu amparo e preservar sua autonomia.

As emoções merecem espaço

O acompanhamento psicológico pode oferecer um lugar para conversar sobre medos, reconhecer necessidades, elaborar mudanças e trabalhar dificuldades nas relações. Durante o adoecimento, esse apoio pode integrar o cuidado, em diálogo com a equipe de saúde.

A atenção às emoções também merece espaço antes de uma crise. Perceber a sobrecarga, compartilhar responsabilidades e buscar apoio quando necessário são maneiras de cuidar da própria vida.

Neste Outubro Rosa, que o convite ao cuidado alcance também aquilo que nem sempre aparece: o cansaço, a solidão, a culpa de descansar e a dificuldade de pedir ajuda.

A mulher que cuida de tantos também merece ser ouvida, amparada e cuidada por inteiro.





Elisa Pereira | Psicóloga
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Depressão nem sempre parece tristeza: Sinais silenciosos que merecem atenção- Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Quando pensamos em depressão, é comum imaginar alguém chorando, isolado ou sem conseguir realizar as atividades do dia a dia. Mas nem sempre ela se apresenta dessa forma.

Muitas pessoas continuam trabalhando, cuidando da família, cumprindo compromissos e até sorrindo. Por fora, parecem estar bem. Por dentro, porém, podem estar vivendo um profundo desgaste emocional.

A depressão pode aparecer de maneira silenciosa.

Em alguns casos, o que surge primeiro não é a tristeza intensa, mas uma sensação constante de cansaço, falta de energia, irritabilidade, dificuldade de concentração ou perda de interesse pelas coisas que antes davam prazer.

A pessoa pode perceber que está vivendo “no automático”.

Ela faz o que precisa ser feito, mas sem entusiasmo. Levanta, trabalha, resolve problemas, cuida dos outros e segue a rotina, porém sente como se algo dentro dela tivesse perdido a cor.

Alguns sinais que merecem atenção

Entre os sinais que podem aparecer estão:

* perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram importantes;

* cansaço persistente, mesmo após descansar;

* alterações no sono, como insônia ou vontade de dormir demais;

* irritabilidade ou impaciência frequente;

* dificuldade para se concentrar ou tomar decisões;

* sensação de vazio ou desconexão;

* isolamento e vontade de se afastar das pessoas;

* sentimento de culpa ou inutilidade;

* alterações no apetite;

* pensamentos frequentes de desesperança.

Ter um ou outro desses sinais isoladamente não significa necessariamente estar com depressão. O que importa é observar a intensidade, a frequência, o tempo de duração e o impacto que esses sintomas estão provocando na vida.

Quando a pessoa continua funcionando, o sofrimento pode passar despercebido

Um dos aspectos mais difíceis é que muitas pessoas aprendem a esconder o sofrimento.

Elas continuam sendo produtivas, responsáveis e disponíveis para todos. Frequentemente escutam frases como: “Mas você parece tão bem” ou “Você tem tudo, por que estaria triste?”.

Esse tipo de comentário pode aumentar ainda mais a culpa e dificultar o pedido de ajuda.

Sofrimento emocional não precisa ser visível para ser real.

Às vezes, a pessoa passou tanto tempo sendo forte que já não percebe o quanto está cansada.

O corpo também pode dar sinais

A saúde emocional e o corpo estão profundamente relacionados.

Algumas pessoas percebem tensão muscular constante, dores de cabeça, alterações gastrointestinais, sensação de peso no corpo, dificuldade para respirar profundamente ou um cansaço que parece não passar.

Por isso, olhar para a saúde mental também envolve aprender a escutar os sinais que o corpo está apresentando.

Procurar ajuda não significa esperar chegar ao limite

Muitas pessoas chegam à terapia somente quando sentem que não conseguem mais continuar.

Mas não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável para buscar ajuda.

Quanto antes esses sinais forem reconhecidos, maior a possibilidade de compreender o que está acontecendo e construir estratégias de cuidado.

A psicoterapia pode ajudar a identificar padrões emocionais, compreender fatores que estão contribuindo para o sofrimento e desenvolver novas formas de lidar com as emoções e com as situações da vida.

Em alguns casos, uma avaliação médica ou psiquiátrica também pode ser necessária.

Uma pergunta importante

Talvez a pergunta não seja apenas:

“Eu estou triste?”

Mas sim:

“Há quanto tempo eu não me sinto verdadeiramente bem?”

Se você percebe que está apenas cumprindo tarefas, sem energia, sem prazer ou emocionalmente desconectada, talvez seja importante olhar para isso com mais atenção.

Você não precisa esperar chegar ao limite para começar a cuidar da sua saúde emocional.

Elisa Pereira

Psicóloga clínica | CRP 06/45961-4

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Atendimento psicológico presencial em Vinhedo/SP e on-line.           Contato  19 981281661  @psi.elisape

Esgotamento emocional: 7 sinais que não deveriam ser normalizados - Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Há um tipo de cansaço que não passa apenas com uma boa noite de sono.

Você descansa, tenta diminuir o ritmo, promete que vai se cuidar mais… mas continua acordando cansada, irritada, sem energia e com a sensação de que está sempre no limite.

Muitas pessoas vivem assim por tanto tempo que começam a acreditar que esse estado é normal.

Mas não deveria ser.

O esgotamento emocional pode surgir depois de períodos prolongados de sobrecarga, preocupações, conflitos, excesso de responsabilidades e da sensação constante de precisar dar conta de tudo.

E, muitas vezes, o corpo começa a sinalizar antes mesmo de a pessoa perceber o que está acontecendo emocionalmente.

Veja alguns sinais que merecem atenção.

1. Você acorda cansada mesmo depois de dormir

O corpo pode até descansar algumas horas, mas a mente permanece em estado de alerta.

Pensamentos acelerados, preocupações constantes e a dificuldade de realmente “desligar” fazem com que o descanso deixe de ser reparador.

Quando o cansaço se torna frequente, é importante olhar além da rotina e perguntar: o que está me consumindo emocionalmente?

2. Pequenas situações começam a causar irritação excessiva

Aquilo que antes você conseguiria administrar passa a parecer insuportável.

Barulhos, atrasos, cobranças, mensagens, tarefas simples ou até conversas comuns podem gerar irritação intensa.

Isso pode acontecer porque sua capacidade emocional já está sobrecarregada.

Não significa necessariamente que você “perdeu a paciência”. Talvez esteja tentando funcionar há muito tempo acima do seu limite.

3. Você sente vontade de se afastar de todo mundo

Quando existe esgotamento, até o contato com pessoas queridas pode parecer cansativo.

Você começa a evitar conversas, encontros e situações sociais porque sente que não tem mais energia para oferecer.

O isolamento pode parecer uma forma de proteção momentânea, mas, quando se torna frequente, merece atenção.

4. Você perdeu o prazer pelas coisas que antes gostava

Atividades que antes proporcionavam satisfação deixam de despertar interesse.

Você continua realizando suas responsabilidades, mas quase tudo passa a ser feito no automático.

A sensação pode ser parecida com:

“Eu faço porque preciso fazer.”

Quando a vida começa a se transformar apenas em uma sequência de obrigações, algo precisa ser revisto.

5. Seu corpo está sempre tenso

Dores musculares, tensão nos ombros, aperto no peito, dificuldade para respirar profundamente, dor de cabeça ou desconfortos frequentes podem aparecer em períodos de estresse intenso.

Corpo e emoção não funcionam separadamente.

Muitas vezes, o corpo expressa aquilo que estamos tentando suportar silenciosamente.

Por isso, não basta perguntar apenas “o que estou pensando?”, mas também:

Como meu corpo está vivendo tudo isso?

6. Você sente que precisa continuar mesmo estando no limite

Esse talvez seja um dos sinais mais perigosos de normalizar.

A pessoa percebe que está cansada, mas pensa:

“Só mais essa semana.”

“Depois eu descanso.”

“Agora não posso parar.”

“Todo mundo depende de mim.”

O problema é que esse “depois” muitas vezes nunca chega.

E continuar ignorando os próprios limites pode aumentar ainda mais a sobrecarga emocional.

7. Você sente culpa quando tenta se priorizar

Descansar gera culpa.

Dizer “não” gera culpa.

Colocar limites gera culpa.

Escolher você mesma parece egoísmo.

Esse padrão aparece com frequência em pessoas que aprenderam a acreditar que precisam estar disponíveis, cuidar, resolver e sustentar tudo ao redor.

Mas cuidado emocional também envolve reconhecer limites.

Você não precisa chegar ao colapso para considerar que precisa de ajuda.

Não espere chegar ao limite para cuidar de você

O esgotamento emocional não acontece de um dia para o outro.

Ele costuma ser construído aos poucos.

Uma responsabilidade a mais.

Um limite ignorado.

Uma necessidade silenciada.

Um “sim” quando você gostaria de dizer “não”.

Um descanso adiado.

Uma emoção reprimida.

Até que o corpo e a mente começam a mostrar que algo precisa mudar.

Perceber os sinais é importante, mas somente perceber nem sempre é suficiente.

É necessário compreender quais padrões estão mantendo você nesse funcionamento e começar a construir novas formas de lidar com suas emoções, seus limites e suas escolhas.

No meu trabalho terapêutico corpo-emocional, gosto de pensar nesse processo como uma árvore.

Muitas vezes, tentamos mudar apenas aquilo que aparece na copa: ansiedade, irritação, cansaço, conflitos.

Mas uma transformação mais profunda também precisa olhar para a raiz: histórias, crenças, padrões emocionais e formas de funcionamento que foram sendo construídas ao longo da vida.

Cuidar da saúde emocional não significa esperar chegar ao limite.

Significa reconhecer que você também precisa fazer parte da lista de pessoas que recebe o seu cuidado.

Se você se identificou com vários desses sinais, talvez seja o momento de olhar com mais atenção para aquilo que você vem carregando sozinha.

Buscar acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender esses padrões e encontrar caminhos mais saudáveis para lidar com suas emoções, relacionamentos e limites.

Elisa Pereira
Psicóloga Clínica
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Quando ser forte demais vira exaustão: os sinais de que você está ultrapassando seus limites emocionais - Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Durante muito tempo, ser forte foi associado a suportar tudo.

Dar conta da casa, do trabalho, da família, dos relacionamentos, das responsabilidades, das

expectativas e, ainda assim, seguir em frente como se nada estivesse acontecendo.

Muitas mulheres aprenderam que parar é fraqueza, pedir ajuda é sinal de incapacidade e dizer “não” pode decepcionar alguém.

O problema é que o corpo e a mente não conseguem sustentar indefinidamente uma rotina marcada por excesso, autocobrança e ausência de espaço emocional.

Em algum momento, aquilo que parecia força começa a se transformar em exaustão.

A força que ninguém vê

Nem sempre a pessoa que está emocionalmente esgotada aparenta fragilidade.

Muitas vezes, ela continua trabalhando, cuidando de todos, cumprindo compromissos e resolvendo problemas.

Por fora, parece organizada e funcional. Por dentro, pode estar no limite.

Esse tipo de sofrimento costuma ser silencioso.

A pessoa se acostuma tanto a funcionar no modo automático que passa a considerar normal viver cansada, irritada, ansiosa ou sobrecarregada.

Ela pode até pensar:

“É só uma fase.”

“Depois eu descanso.”

“Tem gente passando por coisas piores.”

“Eu preciso dar conta.”

E assim vai ignorando sinais importantes.

O corpo costuma falar primeiro.

Antes de uma pessoa reconhecer emocionalmente que está sobrecarregada, muitas vezes o corpo já começou a sinalizar.

1) Dores musculares frequentes, tensão nos ombros, alterações no sono, cansaço constante, dores de cabeça, palpitações, desconfortos gastrointestinais e sensação de estar sempre em alerta podem aparecer em períodos prolongados de estresse.

Isso não significa que todo sintoma físico tenha origem emocional. Sintomas persistentes precisam ser avaliados por profissionais de saúde.

Mas também é importante compreender que corpo e emoções estão profundamente conectados.

Quando vivemos durante muito tempo em estado de tensão, o organismo pode permanecer em um funcionamento de vigilância constante.

É como se o corpo estivesse tentando dizer:

“Eu não consigo continuar nesse ritmo.”

Alguns sinais de que você pode estar ultrapassando seus limites.

A exaustão emocional nem sempre chega de repente. Muitas vezes, ela se constrói aos poucos.

Alguns sinais merecem atenção:

irritabilidade frequente;

sensação de estar sempre cansada;

dificuldade para relaxar;

vontade de se isolar;

perda de prazer em atividades que antes eram agradáveis;

ansiedade constante;

sensação de não conseguir desligar a mente;

dificuldade de concentração;

choro frequente ou sensação de estar emocionalmente “anestesiada”;

culpa quando tenta descansar;

sentimento de que todos precisam de você;

dificuldade de pedir ajuda;

sensação de carregar responsabilidades demais.

Quando vários desses sinais aparecem juntos e permanecem por um período prolongado, é importante olhar para eles com cuidado.

A autocobrança também cansa

Nem sempre a sobrecarga vem apenas da quantidade de tarefas.

Muitas vezes, ela está relacionada à maneira como a pessoa se relaciona consigo mesma.

Quem vive tentando ser perfeita pode transformar qualquer tarefa em uma prova de competência.

Quem acredita que precisa agradar a todos pode ter dificuldade em colocar limites.

2)Quem aprendeu que seu valor está associado ao que faz pelos outros pode sentir culpa quando decide se priorizar.

Esses padrões não surgem do nada

Eles podem ter relação com experiências anteriores, vínculos familiares, crenças construídas ao longo da vida e formas de proteção emocional que, em determinado momento, foram importantes.

O problema acontece quando aquilo que um dia ajudou a pessoa a sobreviver começa a adoecê-la.

Por que é tão difícil parar?

Parar pode parecer simples para quem observa de fora.

Mas para algumas pessoas, descansar gera ansiedade.

Ao reduzir o ritmo, pensamentos e emoções antes abafados pela rotina podem aparecer.

É nesse momento que muitas pessoas percebem o quanto estavam usando a produtividade como uma forma de não entrar em contato com aquilo que sentiam.

Por isso, cuidar da exaustão emocional não significa apenas dormir mais ou tirar alguns dias de descanso.

Também pode signific olhar para as raízes da sobrecarga.

Por que você sente que precisa resolver tudo?

Por que é tão difícil dizer não?

Por que pedir ajuda parece tão desconfortável?

Por que descansar gera culpa?

Essas perguntas podem abrir caminhos importantes de autoconhecimento.

Descansar não é abandonar responsabilidades

Existe uma diferença entre responsabilidade e sobrecarga.

Ser responsável não significa carregar tudo sozinha.

Cuidar dos outros não exige abandonar a si mesma.

Colocar limites não significa ser egoísta.

Aprender a reconhecer seus próprios limites pode ser uma das formas mais maduras de autocuidado.

3)Isso pode começar com pequenas mudanças: reconhecer quando você está cansada, pedir ajuda, dividir responsabilidades, diminuir a autocobrança, criar momentos de pausa, observar como o corpo dividir responsabilidades, diminuir a autocobrança, criar momentos de pausa, observar como o corpo às situações e permitir-se dizer “não” quando necessário.

Quando procurar ajuda psicológica

A psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender os padrões que sustentam a sobrecarga emocional.

Muitas vezes, não basta mudar a agenda.

É preciso compreender aquilo que está por trás da necessidade constante de dar conta.

Em um processo terapêutico, é possível identificar crenças, padrões emocionais, formas de relacionamento e respostas corporais que contribuem para o esgotamento.

O objetivo não é ensinar alguém a abandonar suas responsabilidades.

É ajudá-la a construir uma forma mais saudável de se relacionar consigo mesma, com seus limites e com as próprias necessidades.

Uma pergunta para você

Talvez você não precise ser mais forte.

Talvez precise parar de carregar sozinha aquilo que já está pesado demais.

Seu corpo tem dado sinais de que você está ultrapassando seus limites?

E, se ele pudesse falar com você hoje, o que acha que pediria?

Reconhecer a própria exaustão não é fracasso.

Pode ser o início de uma mudança importante: deixar de viver apenas tentando suportar e começar a construir uma vida com mais consciência, equilíbrio e presença.

Elisa Maria Pereira

Psicóloga | CRP 06/45961-4

Atendimentos on-line e presenciais em Vinhedo/SP

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Como ajudar o corpo e a mente a encontrarem mais equilíbrio: 3 técnicas de autorregulação emocional - Coluna Psicologia por Dra, Elisa Pereira

Quando estamos ansiosos, sobrecarregados ou emocionalmente abalados, não é apenas a mente que reage. O corpo também participa dessa experiência.

O coração pode acelerar, a respiração ficar mais curta, os músculos se tensionarem e os pensamentos parecerem difíceis de controlar.

Por isso, aprender técnicas de autorregulação emocional pode ajudar a reduzir a ativação do organismo e recuperar, gradualmente, uma sensação maior de equilíbrio.

A seguir, conheça três recursos simples que podem ser utilizados no dia a dia.

1. Respiração lenta e consciente

Em momentos de ansiedade, é comum a respiração ficar rápida e superficial.

Experimente inspirar lentamente pelo nariz e soltar o ar de forma ainda mais tranquila.

Repita algumas vezes, sem forçar, percebendo o movimento do peito e do abdômen.

A respiração consciente ajuda você a voltar a atenção para o corpo e para o momento presente.

2. Abraço de borboleta

Cruze os braços sobre o peito e coloque as mãos sobre lados opostos do corpo.

Em seguida, faça pequenos toques alternados: uma mão, depois a outra, mantendo um ritmo confortável.

Enquanto realiza o movimento, observe sua respiração e as sensações que aparecem.

Essa prática pode favorecer uma sensação de acolhimento e ajudar na organização emocional em momentos de maior tensão.

3. Técnica de aterramento 5-4-3-2-1

Quando os pensamentos estão muito acelerados, direcionar a atenção para aquilo que está acontecendo ao redor pode ajudar.

Observe e identifique:

  • 5 coisas que você consegue ver;

  • 4 coisas que consegue tocar;

  • 3 sons que consegue ouvir;

  • 2 cheiros que consegue perceber;

  • 1 sabor ou sensação na boca.

Faça o exercício devagar, permitindo que sua atenção retorne ao presente.

Mas autorregulação não significa apenas aprender a se acalmar

As técnicas são recursos importantes, mas também precisamos compreender por que o corpo entra tantas vezes em estado de alerta.

É justamente nesse ponto que entra o meu trabalho na psicoterapia.

No meu trabalho terapêutico, integro a compreensão dos pensamentos e padrões emocionais com a percepção das respostas do corpo.

Observamos não apenas o que a pessoa pensa, mas também:

  • como o corpo reage diante de determinadas situações;

  • quais emoções aparecem com maior intensidade;

  • quais gatilhos ativam ansiedade, medo ou sobrecarga;

  • quais padrões emocionais vêm se repetindo ao longo da vida;

  • e quais formas de proteção foram sendo construídas ao longo da própria história.

Porque, muitas vezes, o sintoma que aparece hoje pode estar relacionado a padrões emocionais que foram se formando muito antes.

Por isso, a psicoterapia não busca apenas ensinar a pessoa a controlar uma crise.

O processo também ajuda a desenvolver consciência emocional, autorregulação e compreensão das raízes dos padrões que mantêm o sofrimento.

Aprender uma técnica pode ajudar você em um momento difícil.

Mas compreender o que o seu corpo e suas emoções estão tentando comunicar pode abrir um caminho muito mais profundo de autoconhecimento.

Corpo e mente não funcionam separados. Cuidar da saúde emocional também significa aprender a escutar os sinais do corpo.

Psicóloga Elisa Maria Pereira

@psi.elisape

Mentora e Palestrante – contato 19981281661




As 5 feridas emocionais que ainda comandam suas escolhas - Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Muitas das decisões que tomamos na vida adulta parecem conscientes. Escolhemos relacionamentos, permanecemos ou saímos de determinadas situações, aceitamos responsabilidades, evitamos conflitos e buscamos reconhecimento.

Mas nem sempre percebemos que, por trás dessas escolhas, podem existir feridas emocionais antigas influenciando nossa forma de sentir, pensar e agir.

Essas feridas não significam necessariamente que houve falta de amor ou intenção de machucar por parte das pessoas que fizeram parte da nossa história. Elas podem surgir a partir da maneira como vivenciamos determinadas experiências e das necessidades emocionais que, em algum momento, não foram suficientemente atendidas.

Com o passar do tempo, criamos maneiras de nos proteger. O problema é que aquilo que um dia foi proteção pode, na vida adulta, transformar-se em um padrão que limita nossos relacionamentos, nossa autoestima e nossa liberdade emocional.

1. Rejeição

A ferida da rejeição pode surgir quando a pessoa desenvolve a sensação de que existe algo errado com ela ou de que precisa mudar para ser aceita.

Na vida adulta, isso pode aparecer como medo intenso de críticas, dificuldade de se expor, comparação constante e necessidade de aprovação.

A pessoa pode pensar:

“E se não gostarem de mim?”

“E se eu não for boa o suficiente?”

Por medo de ser rejeitada, muitas vezes ela se rejeita primeiro: deixa de tentar, não mostra suas ideias, evita oportunidades ou se adapta excessivamente para agradar.

O primeiro movimento de mudança é perceber que ser aceita pelos outros não pode exigir o abandono de quem você é.

2. Abandono

Quem carrega a ferida do abandono pode viver com a sensação de que as pessoas importantes irão embora em algum momento.

Essa insegurança pode gerar ansiedade nos relacionamentos, medo de perder o outro, necessidade constante de confirmação ou dificuldade de ficar sozinho.

Pequenas mudanças na postura de alguém podem ser interpretadas como sinais de afastamento.

Uma mensagem que demora a chegar, uma mudança de comportamento ou um conflito podem despertar uma sensação muito maior do que a situação atual justificaria.

Nesse caso, não é apenas o presente que está sendo vivido. Uma memória emocional antiga também pode estar sendo ativada.

O processo terapêutico ajuda a construir algo fundamental: segurança emocional interna, para que os vínculos deixem de ser vividos sob o medo constante da perda.

3. Privação emocional

A privação emocional está relacionada à sensação de que ninguém realmente compreenderá suas necessidades emocionais.

A pessoa pode ter aprendido muito cedo a não pedir ajuda, não demonstrar fragilidade ou não esperar cuidado dos outros.

Frequentemente são pessoas extremamente disponíveis para todos, mas que têm dificuldade de reconhecer ou comunicar aquilo de que elas próprias precisam.

Em alguns momentos, podem sentir:

“Eu cuido de todo mundo, mas ninguém cuida de mim.”

O paradoxo é que, muitas vezes, elas também têm dificuldade de permitir que alguém se aproxime o suficiente para cuidar.

Romper esse padrão envolve aprender que ter necessidades emocionais não é fraqueza. É parte da experiência humana.

4. Subjugação

A subjugação acontece quando a pessoa aprende a colocar constantemente as necessidades e vontades dos outros acima das próprias.

Ela evita conflitos, tem dificuldade de dizer “não” e frequentemente concorda com situações que, internamente, não gostaria de aceitar.

O medo pode ser de desagradar, provocar rejeição, gerar conflito ou perder o relacionamento.

Com o tempo, entretanto, aquilo que não é dito pode se transformar em ressentimento, cansaço ou até sintomas físicos.

O corpo começa a expressar aquilo que a pessoa não consegue colocar em palavras.

Aprender a estabelecer limites não significa deixar de amar ou de cuidar.

Significa compreender que um relacionamento saudável precisa ter espaço para duas pessoas, e não apenas para as necessidades de uma delas.

5. Autosacrifício

O autosacrifício pode parecer, à primeira vista, apenas generosidade.

A pessoa cuida, ajuda, acolhe, resolve problemas e está sempre disponível.

Mas existe uma diferença entre cuidar por escolha e cuidar porque sentimos que somos responsáveis pelo bem-estar de todos.

Quando o autosacrifício se torna um padrão, a pessoa frequentemente deixa suas próprias necessidades para depois.

E esse “depois” quase nunca chega.

Ela pode sentir culpa ao descansar, ao colocar limites ou ao priorizar algo para si.

Com o tempo, surgem cansaço, sobrecarga, irritabilidade e sensação de invisibilidade.

Cuidar dos outros é valioso. Mas cuidar de si também precisa fazer parte da relação.

Quando percebemos que essas feridas estão comandando nossas escolhas?

Uma pergunta importante é:

“Estou escolhendo porque realmente quero ou porque estou tentando evitar uma dor antiga?”

Às vezes permanecemos em relações por medo do abandono.

Aceitamos situações por medo da rejeição.

Cuidamos excessivamente para sentir que somos necessários.

Silenciamos nossas necessidades para evitar conflitos.

Ou não pedimos ajuda porque aprendemos que precisar do outro pode ser perigoso.

Quando começamos a reconhecer esses padrões, algo muito importante acontece: ganhamos possibilidade de escolha.

O que antes acontecia automaticamente pode começar a ser observado e transformado.

O corpo também conta essa história

As experiências emocionais não ficam apenas nos pensamentos.

Elas também aparecem no corpo.

Tensão muscular, respiração curta, dificuldade de relaxar, postura rígida, sensação de peso, aceleração ou exaustão podem acompanhar determinados padrões emocionais.

Por isso, olhar para a saúde emocional também significa aprender a perceber os sinais do próprio corpo.

Ele frequentemente revela aquilo que ainda não conseguimos colocar em palavras.

Você não precisa continuar repetindo os mesmos ciclos

Nossa história influencia quem somos, mas não precisa determinar para sempre quem seremos.

Quando compreendemos a origem dos nossos padrões, começamos a construir novas respostas.

A psicoterapia pode ajudar nesse processo de reconhecer feridas emocionais, compreender como elas aparecem atualmente e desenvolver formas mais saudáveis de se relacionar consigo mesmo e com os outros.

Talvez a pergunta não seja apenas:

“Por que isso sempre acontece comigo?”

Mas:

“Que padrão dentro de mim ainda está escolhendo o mesmo caminho?”

E essa pergunta pode ser o início de uma transformação profunda.




Elisa Maria Pereira

Psicóloga, Mentora ,Palestrante

@psi.elisape

contato: 19981281661