Por Tibeti Caviglioni Daniel, CEO da Mavie Móveis*
Vivemos em um momento em que o design se transforma em uma velocidade inédita. Novos materiais, tecnologias, cores, formas e referências surgem continuamente e influenciam a maneira como pensamos e ocupamos os espaços. Nesse cenário, acompanhar tendências pode ser inspirador, mas também traz uma questão importante para quem projeta e para quem investe em um ambiente: como criar algo que continue fazendo sentido quando aquilo que hoje está em alta deixar de estar?
Essa é uma das grandes discussões sobre design contemporâneo. E, na minha visão, a resposta não está em escolher entre o design autoral e as tendências, mas em entender o papel de cada um.
Tendências refletem seu tempo. Elas revelam mudanças de comportamento, novas necessidades, transformações culturais e até avanços tecnológicos. Por isso, são importantes para o design e ajudam a ampliar possibilidades criativas. O problema acontece quando seguir uma tendência se torna mais importante do que construir uma identidade.
Um ambiente não precisa ser uma fotografia do momento em que foi criado. Ele precisa ser capaz de acompanhar as pessoas e suas transformações.
É aí que o design autoral ganha força. Mais do que criar algo diferente, ele busca estabelecer uma linguagem própria, na qual estética, funcionalidade, proporção, materiais e propósito estejam conectados. Uma peça ou um ambiente autoral não depende exclusivamente de estar na moda para ter valor.
Isso não significa criar espaços estáticos ou ignorar as novidades. Pelo contrário. A inovação está justamente na capacidade de incorporar o novo sem perder aquilo que dá identidade ao projeto.
Um bom exemplo está no mobiliário. Uma peça pode incorporar uma nova tecnologia de produção, um material inovador ou uma solução funcional contemporânea e, ainda assim, apresentar uma linguagem capaz de atravessar diferentes momentos. Quando existe qualidade no desenho e na construção, ela não precisa ser substituída simplesmente porque uma nova tendência surgiu.
Essa visão também muda a maneira como pensamos o investimento em design.
Escolher um móvel, um revestimento ou uma solução para um ambiente não deveria ser apenas uma decisão estética. É preciso considerar durabilidade, conforto, funcionalidade, manutenção, possibilidade de adaptação e a experiência que aquele espaço pretende proporcionar.
Na hotelaria, por exemplo, essa questão se torna ainda mais evidente. Os ambientes precisam ser visualmente marcantes, mas também suportar uma utilização intensa e permanecer coerentes com a identidade da marca ao longo do tempo. O design precisa dialogar com a experiência do hóspede sem ficar refém de uma tendência passageira.
No universo corporativo, a lógica é semelhante. Os escritórios estão mudando porque a maneira de trabalhar também mudou. Ambientes mais flexíveis, colaborativos e acolhedores ganharam espaço. Mas inovar não significa simplesmente reproduzir o escritório que está em evidência naquele momento. Significa compreender as necessidades reais das pessoas e criar soluções que possam evoluir junto com elas.
Talvez essa seja uma das principais características do design verdadeiramente inovador: ele não pensa apenas no presente.
Quando falamos em inovação, muitas vezes associamos o conceito à novidade. Mas inovar também pode significar criar algo mais inteligente, mais funcional, mais durável ou mais conectado às necessidades humanas.
Por isso, acredito que a pergunta mais interessante diante de uma tendência não seja “devemos seguir?”, mas “como podemos reinterpretá-la?”
Uma cor da moda pode aparecer em elementos que possam ser renovados futuramente. Um novo material pode ser incorporado de maneira estratégica. Uma tecnologia pode melhorar a funcionalidade sem comprometer a estética. Uma referência contemporânea pode ser reinterpretada de acordo com a identidade de cada projeto.
Dessa maneira, a tendência deixa de ser uma regra e passa a ser uma ferramenta.O resultado são ambientes que conseguem dialogar com seu tempo sem ficar presos a ele.
No fim, criar espaços relevantes ao longo dos anos exige uma combinação de curiosidade para olhar para o novo, repertório para fazer escolhas e identidade para saber o que merece permanecer.
O design autoral nos ajuda a construir essa identidade. A inovação nos permite evoluí-la. E as tendências podem ampliar o repertório para essa construção. Porque, quando tudo muda tão rapidamente, talvez o verdadeiro luxo seja criar algo que não precise ser substituído a cada nova temporada para continuar fazendo sentido.
Tibeti Caviglioni Daniel é CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
Sobre a Mavie
A Mavie Móveis é uma marca brasileira de mobiliário para áreas internas e externas, com fábrica própria em Campinas (SP). Nascida da experiência de mais de 15 anos como fornecedora de móveis para alguns dos principais players do mercado nacional, a empresa lançou sua marca autoral em 2023, unindo design contemporâneo, produção artesanal, personalização e alta qualidade. Atende consumidores finais, arquitetos, designers de interiores, paisagistas e clientes corporativos em todo o Brasil, desenvolvendo soluções para residências, hotéis, restaurantes, condomínios, incorporadoras, clubes e empresas. Com fabricação própria, garantia de cinco anos e foco em conforto, durabilidade e excelência construtiva, a Mavie transforma ambientes por meio de móveis pensados para acompanhar os momentos e as necessidades únicas de cada cliente, materializadas em momentos que realmente importam.
Comunicação com a Imprensa:
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Tibeti Caviglioni Daniel
Coluna Design e inovaçâo
CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
