O que podemos construir depois das eleições? Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Quando as urnas se fecham e o resultado chega, diferentes sentimentos encontram espaço dentro de nós. Para alguns, há alegria e esperança. Para outros, frustração, preocupação ou tristeza. E há também quem esteja apenas cansado das discussões e queira reencontrar um pouco de tranquilidade.

Por trás de cada voto existem histórias, necessidades, valores e expectativas. Reconhecer isso pode nos ajudar a olhar para quem pensa diferente com mais humanidade.

Depois de um período de tantas opiniões e disputas, fica uma pergunta: o que podemos construir a partir de agora?

Podemos começar pela maneira como convivemos. Uma conversa em família, uma mensagem no grupo de amigos ou um comentário nas redes sociais são oportunidades de escolher como vamos nos posicionar. Podemos expressar nossas convicções com firmeza e, ao mesmo tempo, preservar a dignidade de quem está do outro lado.

Respeitar alguém não exige concordar com tudo. Exige reconhecer que a diferença não nos autoriza a humilhar, ameaçar ou ferir.

Construir também é reconhecer o que sentimos

Se o resultado trouxe decepção, permita-se reconhecer esse sentimento sem se cobrar uma aceitação imediata. Se trouxe alegria, celebre com sensibilidade diante de quem vive esse momento de outra maneira.

Antes de responder a uma provocação, vale fazer uma pausa e perceber: “O que estou sentindo? O que desejo comunicar? Essa conversa tem espaço para escuta?”

Às vezes, continuar o diálogo será possível. Em outras situações, será necessário estabelecer um limite e retomar o assunto em outro momento. Cuidar dos vínculos também envolve perceber quando uma conversa deixou de ser respeitosa.

A esperança ganha forma nas atitudes

Há decisões coletivas que não dependem apenas de nós. Ainda assim, podemos participar da vida em sociedade: acompanhar propostas, cobrar compromissos, buscar informações responsáveis e contribuir com a comunidade.

Também construímos algo quando acolhemos alguém em sofrimento, dividimos responsabilidades em casa e oferecemos uma escuta atenta. São gestos que tornam concretos os valores que desejamos ver no mundo.

A esperança pode caminhar junto com a preocupação e com o senso crítico. Ela ganha força quando encontramos maneiras possíveis de agir, mesmo diante das incertezas.

Que relações queremos cultivar?

Depois das eleições, continuaremos compartilhando famílias, espaços de trabalho, bairros e projetos. Precisaremos conversar, resolver problemas e encontrar caminhos em comum.

Talvez este seja um bom momento para observar o que queremos cultivar nessas relações: mais curiosidade antes do julgamento, mais responsabilidade com as palavras e mais disposição para reconhecer a humanidade do outro.

Hoje, além de olhar para o resultado, podemos olhar para nossas próprias escolhas.

Qual atitude está ao seu alcance para tornar a convivência mais respeitosa e a vida de alguém um pouco melhor?

Elisa Maria Pereira

Coluna Psicologia

Psicóloga , Palestrante e Mentora de Casais Especialista em Dinâmica emocional e relacional @psi.elisape