Comparação e sofrimento emocional: um olhar da Terapia do Esquema

Por Elisa Maria Pereira | Instagram: @psi.elisape

A comparação é uma experiência comum, mas pode se tornar fonte de sofrimento quando passa a definir a forma como a pessoa enxerga a si mesma. Em um contexto de constante exposição à vida do outro, é frequente surgirem pensamentos de insuficiência, atraso e inadequação.

Pela perspectiva da Terapia do Esquema, esses pensamentos não são aleatórios. Eles estão ligados a esquemas iniciais desadaptativos, formados ao longo da vida, especialmente quando necessidades emocionais básicas não foram plenamente atendidas.

Entre os esquemas mais associados à comparação, destacam-se:

Defectividade/Vergonha, que gera a sensação de não ser suficiente;

Padrões Inflexíveis, marcados por alta exigência e autocrítica;

e Privação Emocional, relacionada à percepção de que o outro recebe mais do que si próprio.

Quando ativados, esses esquemas fazem com que a comparação reforce crenças negativas já existentes. Além disso, costuma ocorrer de forma injusta: compara-se o próprio processo com o resultado do outro, ignorando contextos, histórias e dificuldades.

O caminho de mudança não está apenas em evitar a comparação, mas em compreender suas origens e desenvolver novas formas de lidar com ela. Isso envolve reconhecer gatilhos, questionar pensamentos automáticos e cultivar uma postura mais acolhedora consigo mesmo.

Nesse processo, a Terapia do Esquema propõe o fortalecimento do Adulto Saudável, capaz de trazer equilíbrio emocional e uma visão mais realista.

A comparação perde força quando a pessoa se reconecta com sua própria trajetória.

Mais do que se medir pelo outro, trata-se de construir uma relação mais justa e consciente consigo mesmo.

Elisa Maria Pereira

Coluna Psicologia

Psicóloga , Palestrante e Mentora de Casais Especialista em Dinâmica emocional e relacional @psicologa.elisapereira