Turismo de experiências: a nova forma de viajar  - Coluna Milhas e viagens por Rejane Rodrigues

Por Rejane Rodrigues

Algo mudou na forma como as pessoas pensam suas viagens. A lógica de escolher um destino bonito e voltar com fotos já não satisfaz como no passado. Um número crescente de viajantes quer uma experiência que deixe uma marca real em suas vidas. O turismo de experiência é uma das tendências mais sólidas do setor, presente em todos os perfis de viajantes e em todos os continentes.

O mercado responde com cases concretos. O Alpina Gstaad, nos Alpes suíços, combina tecnologia de ponta com filosofias orientais em programas de restauração da saúde. A Six Senses abriu em Milão um retiro urbano voltado a quem quer integrar bem-estar à própria rotina de viagens de trabalho. E no Brasil, o Kurotel, spa médico de luxo em Gramado, conquistou pelo nono ano consecutivo o título de Melhor Retiro de Bem-Estar do Brasil — integrando medicina, nutrição e terapias holísticas em programas que atraem visitantes do mundo inteiro. Outros exemplos de turismo de experiência são as viagens gastronômicas, culturais, ecológicas — trilhas, expedições, flutuação, observação de fauna e flora — e de hospedagem em locais inusitados, como hotéis de gelo ou ecolodges. 

Antes de reservar a próxima viagem, vale uma reflexão: o que eu busco com essa viagem? Não o que eu quero ver — mas o que eu quero sentir, aprender ou vivenciar. Quem começa o planejamento com essa pergunta tende a fazer escolhas muito mais ricas — e a voltar da viagem com algo que nenhuma foto consegue capturar.

Rejane Rodrigues

Milhas e viagens

Gestora de Milhas e Viagens e CEO da R2AMiles. Mais informações em www.rejanerodrigues.com.br, @rejanerodrigues.v e @r2amiles.


Milhas aéreas não são brindes. São ativo financeiro — e a alta renda ainda não percebeu isso - Coluna sobre Milhas e viagens por Rejane Rodrigues


Por Rejane Rodrigues

Há uma distinção que o mercado brasileiro de fidelização ainda não aprendeu a fazer — e que custa caro a quem ignora. Acumular milhas e gerir milhas são coisas completamente diferentes. O Brasil é extraordinariamente bom na primeira. Na segunda, ainda engatinha.

Os números confirmam o paradoxo. Segundo a Associação Brasileiro do Mercado de Fidelização (ABEMF), o país gerou 270,5 bilhões de milhas no terceiro trimestre de 2025, volume 15,1% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior. É um volume que impressiona, porém é uma oportunidade ainda pouco explorada por consumidores de alta renda.

A raiz do problema é cultural — e por isso é tão difícil de resolver. A maioria dos empresários ainda se relaciona com suas milhas como se fossem um brinde sem tanta importância. Essa visão não é apenas limitante, é financeiramente cara, pois, tratado como brinde, esse ativo se dissolve em operações sem critério técnico.

O crescimento do resgate de milhas no Brasil — 14% no primeiro trimestre de 2025, segundo a ABEMF — é um sinal de que algo está mudando. Os brasileiros começam a perceber o valor do que acumulam. Mas perceber o valor e saber extraí-lo são movimentos distintos. Ativo financeiro exige acompanhamento, planejamento e decisões fundamentadas — da escolha do portfólio de cartões ao momento preciso da transferência, da rota mais eficiente ao momento ideal de emissão das passagens. O próximo passo do mercado brasileiro — e o mais importante — é perceber que milhas não são migalhas, são ativos que exigem gestão com inteligência. E que, se bem geridos, transformam gastos que já existem em economia real nas viagens.


Rejane Rodrigues é Gestora de Milhas e Viagens e CEO da R2AMiles. Mais informações em
www.rejanerodrigues.com.br, @rejanerodrigues.v e @r2amiles.