Feira mostra que tecnologia, sustentabilidade e novas propostas de mobiliário estão transformando a maneira de pensar os ambientes de hotelaria
Por Tibeti Caviglioni Daniel*
Entre os dias 15 e 18 de setembro, o Expo Center Norte, em São Paulo, recebeu a 63ª edição da Equipotel, um dos principais eventos de hospitalidade da América Latina e o mais tradicional do setor no Brasil. A feira reúne empresas, profissionais, arquitetos, designers, gestores e especialistas de segmentos como hotelaria, turismo, alimentação, bem-estar e serviços para apresentar produtos, soluções e ideias que ajudam a antecipar os próximos movimentos do mercado.
A edição de 2026 reuniu mais de 500 marcas e recebeu 23.102 visitantes, 5% acima do público registrado no ano anterior. A estimativa de negócios gerados pelos expositores chegou a R$ 320 milhões, crescimento de 14,3% em relação a 2025.
Mas uma feira como a Equipotel pode ser observada por outra perspectiva. Para quem trabalha com design, ela funciona também como um retrato de como os espaços estão mudando.
É nos eventos do setor que tendências que ainda parecem distantes começam a ganhar forma concreta: em novos materiais, soluções construtivas, configurações de ambientes e, principalmente, em uma nova maneira de pensar o mobiliário.
O hotel está deixando de parecer um hotel
Durante muito tempo, o mobiliário para hotelaria precisou responder principalmente a três necessidades: resistência, funcionalidade e facilidade de manutenção. São características que continuam fundamentais em ambientes submetidos a um uso intenso.
Mas elas já não são suficientes.
O que se percebe hoje é uma aproximação cada vez maior entre a linguagem dos hotéis e a de outros espaços. Residências, restaurantes, escritórios, clubes e áreas de convivência passam a compartilhar referências, materiais e soluções.
O mobiliário hoteleiro deixa, assim, de seguir necessariamente uma estética própria e facilmente reconhecível.
Surgem peças com desenho mais autoral, combinações de materiais naturais e estruturas metálicas mais leves, além de soluções pensadas para diferentes possibilidades de uso. Em vez de simplesmente preencher um ambiente, o móvel passa a contribuir para sua identidade.
Essa mudança é importante porque o hóspede também mudou.
O design como parte da experiência
Hoje, a experiência de hospedagem começa muito antes da porta do quarto. Ela está no lobby, no restaurante, na área de lazer, no espaço externo e nos lugares de convivência.
O ambiente passou a comunicar.
A escolha do mobiliário, dos materiais e das formas ajuda a transmitir a personalidade de um empreendimento e pode fazer com que um espaço seja percebido como mais acolhedor, sofisticado, contemporâneo ou conectado à cultura local.
Por isso, design e hospitalidade estão cada vez mais próximos.
Um dos movimentos que chamam atenção é justamente a valorização dos espaços externos. Eles deixam de ser áreas complementares e passam a ser entendidos como extensões da experiência oferecida pelo empreendimento.
Isso abre espaço para novas soluções de mobiliário, especialmente peças capazes de combinar resistência, conforto e linguagem estética. Estruturas em alumínio associadas à madeira, por exemplo, permitem explorar simultaneamente leveza visual, durabilidade e sensação de acolhimento - características importantes para áreas externas de hotéis, resorts e espaços de convivência.
Mais do que escolher um móvel bonito, o projeto passa a considerar como aquela peça será utilizada, por quem, em qual ambiente e durante quanto tempo.
Personalização contra a padronização
Outra mudança importante é o crescimento de soluções desenvolvidas sob medida.
A lógica de simplesmente escolher produtos de um catálogo começa a dividir espaço com projetos em que mobiliário, arquitetura e identidade visual são pensados conjuntamente. Dimensões, ergonomia, materiais e características de uso passam a ser definidos de acordo com o conceito de cada empreendimento.
Isso representa uma mudança significativa para a hotelaria.
Em um mercado no qual muitos serviços podem ser semelhantes, criar ambientes com personalidade passa a ser uma forma de diferenciação. O mobiliário deixa de ser apenas um item de infraestrutura e passa a fazer parte da narrativa daquele lugar.
É uma tendência que dialoga especialmente com hotéis boutique, resorts e empreendimentos que procuram oferecer experiências mais exclusivas.
Tecnologia e sustentabilidade também chegam ao design
A Equipotel mostrou ainda que o futuro da hospitalidade não pode ser pensado separando design, tecnologia e sustentabilidade.
A programação da edição deste ano dedicou espaços a tecnologia, inovação e ambientes conectados. Ao mesmo tempo, a feira ampliou a discussão sobre sustentabilidade com o lançamento do Selo ESG para Hospitalidade.
Para o design, essa discussão é particularmente relevante.
Projetar um ambiente hoje significa pensar não apenas em sua aparência, mas também na durabilidade dos produtos, na escolha dos materiais, na manutenção e na capacidade de acompanhar mudanças de uso.
O conceito de sustentabilidade, portanto, também passa pela longevidade.
Um móvel que permanece relevante por mais tempo, que pode ser reparado ou adaptado e que continua adequado ao espaço reduz a necessidade de substituições constantes e contribui para projetos mais conscientes.
O futuro da hospitalidade é mais híbrido
Talvez uma das principais conclusões que a Equipotel deixa seja justamente essa: os espaços estão ficando menos rígidos.
Um lobby pode ser lugar de chegada, encontro, trabalho e convivência. Uma área externa pode funcionar para descanso, alimentação e eventos. Um mobiliário pode deixar de ter uma única função e participar de diferentes configurações.
Essa flexibilidade acompanha uma mudança no próprio comportamento das pessoas.
Queremos espaços que se adaptem, que tenham identidade e que sejam capazes de oferecer diferentes experiências sem perder conforto e funcionalidade.
E é nesse cenário que o design ganha ainda mais relevância.
A Equipotel não apresenta apenas o que a hotelaria está comprando hoje. Ela ajuda a revelar aquilo que o setor começa a imaginar para amanhã.
E, quando observamos os materiais, os formatos e as novas propostas de mobiliário apresentados na feira, fica evidente que o futuro da hospitalidade não será construído apenas por tecnologias mais avançadas ou serviços mais eficientes.
Será construído também por espaços com mais identidade, mais flexibilidade e mais personalidade.
Porque, no fim, receber bem não é apenas oferecer um lugar para ficar.
É criar um lugar que as pessoas tenham vontade de permanecer, experimentar e lembrar.
Tibeti Caviglioni Daniel é CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
Sobre a Mavie
A Mavie Móveis é uma marca brasileira de mobiliário para áreas internas e externas, com fábrica própria em Campinas (SP). Nascida da experiência de mais de 15 anos como fornecedora de móveis para alguns dos principais players do mercado nacional, a empresa lançou sua marca autoral em 2023, unindo design contemporâneo, produção artesanal, personalização e alta qualidade. Atende consumidores finais, arquitetos, designers de interiores, paisagistas e clientes corporativos em todo o Brasil, desenvolvendo soluções para residências, hotéis, restaurantes, condomínios, incorporadoras, clubes e empresas. Com fabricação própria, garantia de cinco anos e foco em conforto, durabilidade e excelência construtiva, a Mavie transforma ambientes por meio de móveis pensados para acompanhar os momentos e as necessidades únicas de cada cliente, materializadas em momentos que realmente importam.
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Tibeti Caviglioni Daniel
Coluna Design e inovaçâo
CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
