Existe uma frase que, silenciosamente, guia a rotina de muitas mulheres: “eu tenho que”. Tenho que dar conta, tenho que resolver, tenho que estar disponível, tenho que ser forte, produtiva, presente, equilibrada. Uma sequência quase automática de exigências que, com o tempo, deixa de ser questionada — e passa a ser vivida como única forma possível de existir.
O problema não está nas responsabilidades em si, mas na forma como elas são sustentadas. Quando o “tenho que” se torna constante, ele ocupa todos os espaços. E, pouco a pouco, o que você sente, precisa ou deseja vai ficando em segundo plano. Surge a culpa ao desacelerar, a dificuldade em dizer não, a sensação de que nunca é suficiente — como se houvesse sempre algo a mais a ser feito.
Esse excesso de cobrança não vem apenas de fora. Ele é, muitas vezes, internalizado ao longo da vida, reforçado por padrões, expectativas e papéis que foram sendo assumidos, especialmente no feminino. E é nesse acúmulo que a desconexão acontece. Porque, quando tudo é prioridade, você deixa de ser.
O corpo sente. A mente se sobrecarrega. A energia se fragmenta. E aquilo que antes era movimento natural da vida passa a ser esforço constante. Sair desse ciclo não significa abandonar responsabilidades, mas questionar a forma como você se relaciona com elas. Nem todo “tenho que” é, de fato, uma necessidade real — muitos são padrões que podem ser revistos.
Retomar o próprio eixo começa quando você abre espaço para se escutar de verdade. Quando troca, ainda que aos poucos, o “tenho que” pelo “eu escolho”, pelo “isso faz sentido para mim”, pelo respeito aos próprios limites. É nesse movimento que a vida deixa de ser apenas uma lista de obrigações — e volta a ser um espaço de presença, consciência e autenticidade.
Renata Travaglini Gonçalves
Médica veterinária formada pela USP/SP e terapeuta holística, com atuação voltada ao bem-estar integral e à reconexão do ser humano consigo mesmo. É idealizadora e sócia proprietária do TAO Espaço Holístico & Café, um espaço que integra saúde, consciência e experiências que convidam a sair do automático e cultivar presença, equilíbrio e qualidade de vida.
Seu trabalho parte do entendimento de que corpo, mente, emoções e energia são dimensões inseparáveis, que se expressam na forma como vivemos, nos relacionamos e buscamos equilíbrio — incluindo um olhar sistêmico que abrange também os animais e as dinâmicas da família multiespécie como parte desse mesmo campo de inter-relações.
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