A dor da perda: quando a saudade precisa de acolhimento - Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

O Dia de Finados nos aproxima de lembranças que, muitas vezes, guardamos em silêncio

Um rosto, uma voz, o cheiro de uma comida, uma cadeira vazia à mesa. Pequenos detalhes ganham força e nos colocam diante da ausência de alguém que continua ocupando um lugar importante em nossa história.

Para algumas pessoas, essa data traz uma saudade serena. Para outras, desperta uma dor intensa, mesmo depois de muitos anos.

Há quem encontre conforto em uma oração, quem visite o cemitério, quem prefira reunir a família e quem precise de recolhimento. Cada pessoa encontra sua maneira de lembrar e de atravessar esse dia.

Não existe uma única forma de sentir saudade. Quando perdemos alguém, também podemos sentir falta daquilo que vivíamos ao seu lado: as conversas, os conselhos, a companhia e a segurança de saber que aquela pessoa estava ali.

Sofremos, ainda, pelos encontros que não acontecerão, pelas palavras que ficaram por dizer e pelos planos que precisarão seguir de outra maneira. Por isso, a ausência pode aparecer em momentos inesperados.

Em um dia comum, uma música toca e os olhos se enchem de lágrimas. Uma conquista chega e surge a vontade de compartilhar a notícia com quem já partiu.

A vida continua acontecendo, enquanto aprendemos a conviver com o que mudou. O peso de precisar parecer bem Quem está vivendo uma perda costuma ouvir frases como “você precisa ser forte”, “já passou tanto tempo” ou “é preciso seguir em frente”.

Embora muitas vezes sejam ditas com boa intenção, essas palavras podem fazer a pessoa sentir que precisa esconder a própria dor. Mas há dias em que ser forte significa admitir: “Hoje está difícil”. Significa aceitar companhia, pedir um abraço ou permitir que as lágrimas venham.

Também pode haver sentimentos difíceis de compreender, como raiva, culpa, alívio ou arrependimento. As relações humanas têm suas complexidades, e a morte nem sempre encerra os conflitos que existiam. Às vezes, parte da dor está justamente no que ficou sem resposta.

Esses sentimentos precisam encontrar espaço para serem escutados, sem julgamentos. Lembrar também pode ser uma forma de cuidar Neste Dia de Finados, talvez seja possível se perguntar: “Do que eu preciso para atravessar esta data com um pouco mais de cuidado?”

A resposta pode estar em conversar com alguém de confiança, olhar fotografias, preparar uma receita de família, escrever uma carta ou fazer uma oração.

Também pode estar em respeitar o próprio limite e escolher um dia mais reservado. Para quem vive a fé, a oração e a esperança podem oferecer amparo. Ainda assim, sentir tristeza e chorar pela ausência fazem parte da experiência humana. A fé pode acolher essas lágrimas.

Aos poucos, também pode surgir espaço para sorrir ao lembrar de uma história, fazer novos planos e aproveitar momentos bons. Sentir alegria novamente não diminui o amor por quem partiu. A memória dessa pessoa pode acompanhar a vida que continua.

Presença para quem sente a ausência Se você convive com alguém enlutado, não precisa encontrar uma frase capaz de resolver sua dor. Muitas vezes, oferecer escuta e dizer “estou aqui com você” já abre um espaço importante de acolhimento.

E, se a perda tem tornado o cotidiano muito difícil, buscar acompanhamento psicológico pode ajudar a encontrar palavras para o sofrimento e apoio para atravessá-lo.

Neste Dia de Finados, que possamos olhar com delicadeza para nossas saudades e para as saudades de quem está ao nosso lado.

Há histórias que continuam presentes nos gestos, nos ensinamentos e nas lembranças que carregamos. A saudade merece espaço. E quem sente essa dor também merece cuidado.

Elisa Maria Pereira Psicóloga | CRP 06/45961-4 Atendimento presencial em Vinhedo–SP e on-line. WhatsApp: (19) 98128-1661 Instagram: @psi.elisape