Por Rejane Rodrigues
Há uma distinção que o mercado brasileiro de fidelização ainda não aprendeu a fazer — e que custa caro a quem ignora. Acumular milhas e gerir milhas são coisas completamente diferentes. O Brasil é extraordinariamente bom na primeira. Na segunda, ainda engatinha.
Os números confirmam o paradoxo. Segundo a Associação Brasileiro do Mercado de Fidelização (ABEMF), o país gerou 270,5 bilhões de milhas no terceiro trimestre de 2025, volume 15,1% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior. É um volume que impressiona, porém é uma oportunidade ainda pouco explorada por consumidores de alta renda.
A raiz do problema é cultural — e por isso é tão difícil de resolver. A maioria dos empresários ainda se relaciona com suas milhas como se fossem um brinde sem tanta importância. Essa visão não é apenas limitante, é financeiramente cara, pois, tratado como brinde, esse ativo se dissolve em operações sem critério técnico.
O crescimento do resgate de milhas no Brasil — 14% no primeiro trimestre de 2025, segundo a ABEMF — é um sinal de que algo está mudando. Os brasileiros começam a perceber o valor do que acumulam. Mas perceber o valor e saber extraí-lo são movimentos distintos. Ativo financeiro exige acompanhamento, planejamento e decisões fundamentadas — da escolha do portfólio de cartões ao momento preciso da transferência, da rota mais eficiente ao momento ideal de emissão das passagens. O próximo passo do mercado brasileiro — e o mais importante — é perceber que milhas não são migalhas, são ativos que exigem gestão com inteligência. E que, se bem geridos, transformam gastos que já existem em economia real nas viagens.
Rejane Rodrigues é Gestora de Milhas e Viagens e CEO da R2AMiles. Mais informações em www.rejanerodrigues.com.br, @rejanerodrigues.v e @r2amiles.
