Dia dos Namorados: quando o amor encontra a realidade - Coluna Psicologia por Elisa Pereira

Dia dos Namorados: quando o amor encontra a realidade

Por Elisa Pereira

Por trás das flores, dos jantares românticos e das declarações nas redes sociais, o Dia dos Namorados também desperta algo mais silencioso: expectativas emocionais. Como psicóloga, percebo que essa data costuma tocar não apenas o amor, mas também inseguranças, carências, memórias afetivas e a forma como cada pessoa aprendeu a se relacionar.

Vivemos em uma época em que os relacionamentos são constantemente comparados. Casais felizes aparecem em fotos perfeitas, viagens impecáveis e textos emocionantes. Mas, na prática, nenhuma relação é feita apenas de momentos bonitos. Amar alguém exige convivência com diferenças, frustrações e limites reais. O amor saudável não é aquele que nunca enfrenta conflitos, mas aquele que consegue atravessá-los sem perder o respeito.

Muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que o problema do relacionamento está apenas no outro. Porém, em muitos casos, a dificuldade está em padrões emocionais antigos que continuam sendo repetidos. Quem cresceu precisando agradar para receber afeto pode se tornar alguém que vive anulando as próprias necessidades. Quem aprendeu que amor vem acompanhado de instabilidade pode sentir desconforto diante de relações tranquilas. O passado emocional frequentemente conversa com o presente afetivo.

O Dia dos Namorados também pode ser difícil para quem está solteiro. Em uma sociedade que ainda associa felicidade à ideia de estar acompanhado, muitas pessoas acabam sentindo inadequação por não estarem em um relacionamento. Mas existe uma diferença importante entre estar sozinho e sentir-se só. A solitude é a capacidade de estar bem consigo mesmo, enquanto a solidão aparece quando existe desconexão emocional, mesmo cercado de pessoas.

Relacionamentos saudáveis começam antes do encontro com o outro. Eles nascem na maneira como cada pessoa se enxerga, se valoriza e se posiciona emocionalmente. É difícil construir vínculos seguros quando existe medo constante de abandono, necessidade excessiva de aprovação ou dificuldade em estabelecer limites.

Amar não deveria significar perder a própria identidade para caber na vida de alguém. Relações maduras não são construídas apenas com intensidade, mas principalmente com presença, diálogo e reciprocidade. Pequenos gestos cotidianos costumam sustentar mais um relacionamento do que grandes promessas feitas em datas especiais.

Talvez o Dia dos Namorados possa ser menos sobre idealizações e mais sobre verdade emocional. Sobre olhar para os próprios vínculos com mais consciência. Sobre entender que o amor não precisa ser perfeito para ser saudável.

E, principalmente, sobre lembrar que relações afetivas não são lugares para provar valor pessoal, mas espaços onde duas pessoas podem crescer sem deixar de ser quem são.

Elisa Pereira

  • CRP 06/45961-4

  • @psi.elisape

  • Psicóloga com experiência de 25 anos em clínica, 

  • Mentora de Casais

  • Palestrante

  • Contato: 19981281661