O excesso de autocobrança nas mulheres modernas - Coluna Psicologia por Dra Elisa Pereira

Vivemos em uma época em que muitas mulheres aprenderam a ser fortes antes mesmo de aprenderem a descansar.
Precisam dar conta do trabalho, da casa, dos filhos, dos relacionamentos, da aparência, da produtividade, da vida social e ainda manter o equilíbrio emocional em meio a tudo isso.

E mesmo quando fazem muito, frequentemente sentem que ainda não é suficiente.

A autocobrança excessiva se tornou silenciosamente normalizada.
Muitas mulheres vivem em constante estado de alerta, como se precisassem provar o tempo todo o próprio valor através do desempenho, da perfeição e da capacidade de suportar tudo sem demonstrar fragilidade.

Existe uma pressão invisível para:

  • ser boa profissional; 

  • boa mãe; 

  • boa esposa; 

  • boa filha; 

  • emocionalmente equilibrada; 

  • produtiva; 

  • disponível; 

  • bonita; 

  • organizada; 

  • forte. 

E quando não conseguem sustentar todas essas expectativas ao mesmo tempo, surge a culpa.

A culpa por descansar.
A culpa por dizer “não”.
A culpa por não conseguir agradar todos.
A culpa por precisar de ajuda.

Com o tempo, o corpo começa a sentir aquilo que a mente tenta ignorar.
Cansaço constante, ansiedade, irritabilidade, dificuldade para dormir, sensação de insuficiência e esgotamento emocional passam a fazer parte da rotina.

Muitas mulheres não percebem que vivem tentando compensar emocionalmente uma crença profunda de que precisam merecer amor, reconhecimento ou aceitação através do que fazem.
Como se parar significasse fracassar.

Mas saúde emocional não é sustentada pela perfeição.
Nenhum ser humano consegue viver permanentemente em alta performance sem pagar um preço emocional por isso.

Aprender a desacelerar não é fraqueza.
Colocar limites não é egoísmo.
Descansar não é irresponsabilidade.

Talvez uma das maiores dificuldades da mulher moderna seja entender que ela não precisa adoecer para validar o quanto tentou.

A verdadeira força emocional não está em suportar tudo sozinha, mas em reconhecer os próprios limites sem culpa.

Porque existe uma diferença entre ser forte e viver sobrevivendo.

E muitas mulheres têm vivido apenas no modo sobrevivência há tempo demais.

Dra. Elisa Pereira CRP 06/45961-4
Psicóloga | Terapia do Esquema | Relacionamentos e Ansiedade

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