Depressão nem sempre parece tristeza: Sinais silenciosos que merecem atenção- Coluna Psicologia por Dra. Elisa Pereira

Quando pensamos em depressão, é comum imaginar alguém chorando, isolado ou sem conseguir realizar as atividades do dia a dia. Mas nem sempre ela se apresenta dessa forma.

Muitas pessoas continuam trabalhando, cuidando da família, cumprindo compromissos e até sorrindo. Por fora, parecem estar bem. Por dentro, porém, podem estar vivendo um profundo desgaste emocional.

A depressão pode aparecer de maneira silenciosa.

Em alguns casos, o que surge primeiro não é a tristeza intensa, mas uma sensação constante de cansaço, falta de energia, irritabilidade, dificuldade de concentração ou perda de interesse pelas coisas que antes davam prazer.

A pessoa pode perceber que está vivendo “no automático”.

Ela faz o que precisa ser feito, mas sem entusiasmo. Levanta, trabalha, resolve problemas, cuida dos outros e segue a rotina, porém sente como se algo dentro dela tivesse perdido a cor.

Alguns sinais que merecem atenção

Entre os sinais que podem aparecer estão:

* perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram importantes;

* cansaço persistente, mesmo após descansar;

* alterações no sono, como insônia ou vontade de dormir demais;

* irritabilidade ou impaciência frequente;

* dificuldade para se concentrar ou tomar decisões;

* sensação de vazio ou desconexão;

* isolamento e vontade de se afastar das pessoas;

* sentimento de culpa ou inutilidade;

* alterações no apetite;

* pensamentos frequentes de desesperança.

Ter um ou outro desses sinais isoladamente não significa necessariamente estar com depressão. O que importa é observar a intensidade, a frequência, o tempo de duração e o impacto que esses sintomas estão provocando na vida.

Quando a pessoa continua funcionando, o sofrimento pode passar despercebido

Um dos aspectos mais difíceis é que muitas pessoas aprendem a esconder o sofrimento.

Elas continuam sendo produtivas, responsáveis e disponíveis para todos. Frequentemente escutam frases como: “Mas você parece tão bem” ou “Você tem tudo, por que estaria triste?”.

Esse tipo de comentário pode aumentar ainda mais a culpa e dificultar o pedido de ajuda.

Sofrimento emocional não precisa ser visível para ser real.

Às vezes, a pessoa passou tanto tempo sendo forte que já não percebe o quanto está cansada.

O corpo também pode dar sinais

A saúde emocional e o corpo estão profundamente relacionados.

Algumas pessoas percebem tensão muscular constante, dores de cabeça, alterações gastrointestinais, sensação de peso no corpo, dificuldade para respirar profundamente ou um cansaço que parece não passar.

Por isso, olhar para a saúde mental também envolve aprender a escutar os sinais que o corpo está apresentando.

Procurar ajuda não significa esperar chegar ao limite

Muitas pessoas chegam à terapia somente quando sentem que não conseguem mais continuar.

Mas não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável para buscar ajuda.

Quanto antes esses sinais forem reconhecidos, maior a possibilidade de compreender o que está acontecendo e construir estratégias de cuidado.

A psicoterapia pode ajudar a identificar padrões emocionais, compreender fatores que estão contribuindo para o sofrimento e desenvolver novas formas de lidar com as emoções e com as situações da vida.

Em alguns casos, uma avaliação médica ou psiquiátrica também pode ser necessária.

Uma pergunta importante

Talvez a pergunta não seja apenas:

“Eu estou triste?”

Mas sim:

“Há quanto tempo eu não me sinto verdadeiramente bem?”

Se você percebe que está apenas cumprindo tarefas, sem energia, sem prazer ou emocionalmente desconectada, talvez seja importante olhar para isso com mais atenção.

Você não precisa esperar chegar ao limite para começar a cuidar da sua saúde emocional.

Elisa Pereira

Psicóloga clínica | CRP 06/45961-4

Mais de 25 anos de experiência clínica

Atendimento psicológico presencial em Vinhedo/SP e on-line.           Contato  19 981281661  @psi.elisape

Reconexão Feminina: o caminho de volta para si mesma

Por Dra. Elisa Maria Scognamiglio Pereira – Psicóloga

A mulher contemporânea conquistou espaços importantes na sociedade. Hoje ela participa ativamente do mercado de trabalho, lidera equipes, constrói carreiras e ocupa posições que antes eram pouco acessíveis ao universo feminino.

Essas conquistas representam avanços fundamentais. No entanto, junto com elas surgiu um desafio silencioso: a necessidade de conciliar múltiplos papéis e responsabilidades ao mesmo tempo.

Muitas mulheres vivem uma rotina intensa, divididas entre trabalho, família, relacionamento, cuidados com os filhos e organização da casa. Em meio a tantas demandas, é comum que a mulher se torne também o apoio emocional de todos ao seu redor.

Com o passar do tempo, essa multiplicidade de funções pode gerar uma sobrecarga emocional significativa.





O peso invisível que muitas mulheres carregam

Existe um tipo de cansaço que muitas vezes não é percebido pelas outras pessoas.

Não é apenas o cansaço físico depois de um dia cheio. É um cansaço emocional, resultado da constante necessidade de pensar em tudo, organizar tudo e resolver problemas.

Muitas mulheres vivem com a sensação de que precisam estar sempre disponíveis e fortes para dar conta de todas as responsabilidades. Essa carga mental pode gerar ansiedade, irritação, dificuldade para relaxar e a sensação constante de que nunca estão fazendo o suficiente.





Quando a mulher começa a se afastar de si mesma

Em meio a tantas demandas, muitas mulheres começam a colocar as necessidades de todos ao redor em primeiro lugar.

Os filhos, o trabalho, a família e as responsabilidades passam a ocupar o centro das prioridades. Pouco a pouco, o espaço dedicado ao cuidado consigo mesma diminui.

Esse processo geralmente acontece de forma silenciosa. A mulher continua funcionando, cumprindo seus papéis e responsabilidades, mas pode começar a perceber um vazio interno ou a sensação de que perdeu parte de quem é.

É comum ouvir relatos como:
"Eu sinto que me perdi de mim mesma."


A visão da psicologia sobre esse processo

Na psicologia, especialmente na Terapia do Esquema, compreendemos que alguns padrões emocionais podem influenciar a forma como a mulher se relaciona consigo mesma e com os outros.

Entre esses padrões estão o autossacrifício, a necessidade constante de aprovação e a tendência a estabelecer padrões muito rígidos de exigência consigo mesma.

Esses esquemas emocionais podem levar a mulher a priorizar sempre as necessidades dos outros, enquanto suas próprias necessidades ficam em segundo plano.


O corpo também manifesta emoções

A psicoterapia corporal nos ensina que o corpo registra emoções que muitas vezes não foram expressas.

Quando sentimentos são ignorados ou reprimidos por muito tempo, podem surgir sinais físicos como tensão muscular, respiração curta, ansiedade constante e cansaço persistente.

O corpo muitas vezes expressa aquilo que a mente tentou silenciar.





Reconectar-se consigo mesma

Diante desse cenário, a reconexão feminina torna-se um processo fundamental para o equilíbrio emocional.

Reconectar-se consigo mesma significa voltar a escutar o próprio corpo, reconhecer emoções e respeitar limites. Não se trata de abandonar responsabilidades, mas de compreender que o autocuidado é essencial para sustentar uma vida saudável.

Antes de ser mãe, profissional, parceira ou cuidadora, existe uma mulher com sonhos, necessidades e emoções que também precisam ser acolhidos.

A reconexão muitas vezes começa com pequenos movimentos, como reservar momentos para si mesma, estabelecer limites saudáveis e reconhecer quando é necessário descansar.


A mulher inteira

Uma mulher inteira não é aquela que consegue dar conta de tudo o tempo todo.

É aquela que aprende a respeitar suas emoções, reconhecer seus limites e cuidar de si mesma com mais gentileza.

Em uma sociedade que valoriza a força feminina associada à capacidade de sustentar múltiplas responsabilidades, talvez seja importante repensar o significado dessa força.

Talvez a verdadeira força não esteja em suportar tudo sozinha.

Talvez a verdadeira força esteja em não se abandonar no meio do caminho.


Dra. Elisa Maria Scognamiglio Pereira
Psicóloga Clínica
Atendimento Online e Presencial

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Whats:( 19) 981281661