Jogar óleo de cozinha na pia é crime por causar danos ao meio ambiente e à saúde, alerta advogado

Descarte incorreto pode multas, sanções administrativas e fechar estabelecimentos

A vida corrida nas cidades muitas vezes desconecta as pessoas dos impactos que suas ações causam na natureza. Na pressa da rotina, é fácil adotar a lógica do "longe dos olhos, longe da mente" na hora de jogar algo fora. Terminar uma fritura e despejar o óleo usado no ralo da pia, ou acender uma pequena fogueira no quintal de casa para queimar folhas e lixo doméstico, parecem atitudes inofensivas. No entanto, o que muita gente não sabe é que essas práticas, aparentemente banais, vão muito além da simples falta de consciência ecológica: elas entram na esfera penal e configuram crimes ambientais.

 

O óleo de cozinha descartado de forma inadequada em residências ou em estabelecimentos comerciais pode causar sérios danos ao meio ambiente e à saúde pública, e a lei brasileira prevê punições para quem não segue as regras.

 

“O problema começa dentro do próprio lar, causando o entupimento crônico dos canos, e avança para a rede pública de esgoto, o que torna o tratamento da água muito mais caro e complexo”, afirma o advogado criminalista Rodolfo Nóbrega Luz, sócio do escritório Cardella Advogados. “Quando esse óleo chega aos rios e oceanos, o desastre é ainda maior: a substância cria uma película impermeável na superfície da água que bloqueia a luz solar e impede a oxigenação, sufocando peixes e plantas aquáticas”, explica.

 

Segundo o advogado, a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) é categórica: causar poluição de qualquer natureza é crime. “As punições tanto paras as pessoas como estabelecimentos comerciais são rigorosas e podem chegar a anos de reclusão, principalmente quando a poluição é causada pelo lançamento de óleos ou substâncias oleosas fora das exigências legais”, alerta Nóbrega Luz.

 

O Direito Ambiental atua de forma preventiva. Isso significa que não é preciso esperar acontecer um desastre ecológico de grandes proporções para que o cidadão seja responsabilizado. “O Poder Judiciário reforça que crimes dessa natureza são classificados como de perigo abstrato. Ou seja, o delito acontece pela mera prática da conduta irregular — como o simples ato de despejar o óleo na pia —, independentemente de haver uma comprovação de dano imediato à saúde humana ou ao meio ambiente naquele exato momento. A lei pune o risco intolerável que essa atitude gera para toda a coletividade”, conta.

 

Nóbrega Luz lembra que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) já consolidou o entendimento de que os delitos de poluição são crimes instantâneos de efeitos permanentes. “Em termos simples: a infração se consuma no exato momento do descarte, mas as suas consequências nocivas e a degradação da natureza se prolongam no tempo, o que torna a conduta ainda mais grave”, explica o advogado.

 

Além do óleo na pia, outras práticas comuns do cotidiano também são alvo das autoridades e dos tribunais, como queima de lixo doméstico. "fogueirinha" no quintal para queimar folhas secas, plásticos ou restos de lixo. Além de poluir a atmosfera e liberar gases tóxicos que provocam doenças respiratórias, ela causa incômodo aos vizinhos e traz o risco de incêndios. Descarte irregular de resíduos sólidos: Jogar entulho de reformas, móveis velhos ou lixo eletrônico em terrenos baldios, calçadas e áreas verdes também é considerada uma infração grave.

 

“Precisamos urgentemente de uma mudança de postura. O desconhecimento da lei não serve de desculpa para ninguém, e o pensamento de que "só um pouquinho não faz mal" é justamente o que alimenta a destruição silenciosa dos nossos recursos naturais”, defende o especialista.

 

Ele também dá dicas para que as pessoas ou empresas sejam punidas, como armazenar o óleo usado em garrafas PET e entregá-lo em postos de coleta ou cooperativas de sabão; separar o lixo doméstico adequadamente; contratar caçambas regularizadas para recolher entulhos; eliminar o hábito de queimar resíduos.

 

Especialistas discutem mudanças na Lei de Licenciamento Ambiental pós-desastre de Mariana

Evento será em Campinas, no próximo dia 30 (sexta), e contará com a participação dos professores Antonio Carlos Demamboro, da PUC-Campinas, e Luis Fernando Penteado, da PUC-SP.

Há mais de dez anos tramitam no Congresso Nacional projetos de lei com o objetivo de regulamentar o Licenciamento Ambiental através de legislação específica, mas foi só a partir de uma insatisfação da indústria brasileira, que se aliou aos produtores rurais com intuito de desburocratizar o processo de licenciamento, e após o desastre do rompimento da barragem em Mariana/MG, em 2015, que a necessidade de modernização da legislação brasileira ganhou força.

Com o intuito de apresentar e discutir as propostas de regulamentação legal do Licenciamento Ambiental que tramitam no Congresso Federal, o projeto “Diálogos sobre Sustentabilidade”, desenvolvido pelo professor de Direito Ambiental da pós-graduação da PUC-SP/COGEAE e advogado Luis Fernando de Freitas Penteado, irá receber na próxima sexta, 30 de junho, das 8h30 às 11h30, outros dois grandes especialistas no assunto, o professor de Sistemas de Infraestrutura Urbana, Sustentabilidade e Engenharia Elétrica da PUC-Campinas, Antônio Carlos Demamboro, e o engenheiro ambiental, mestre em Sistemas de Infraestrutura Urbana com ênfase em Sustentabilidade, Rodrigo Semeria Ruschel.

De acordo com o professor Luis Fernando Penteado, o licenciamento ambiental tem como função garantir que o uso da propriedade esteja de acordo com as diretrizes ambientais. “Hoje, os critérios gerais relativos ao procedimento administrativo do licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos potencialmente causadores de significativos impactos ambientais estão estabelecidos por resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). A crítica do setor produtivo ao Licenciamento Ambiental é que essa ferramenta hoje estaria calcada na burocracia, morosidade e imprevisibilidade que ela pode trazer. Outros setores acreditam que as mudanças vão viabilizar empreendimentos que podem causar impactos graves ao meio ambiente. Há opiniões bastante divergentes e que precisam ser discutidas e analisadas com cautela”, avalia.

Ainda de acordo com ele, algumas correntes de ambientalistas defendem que a ideia de “simplificar” ou “modernizar” a resolução que racionaliza o uso dos recursos naturais poderá representar um franco retrocesso em vários aspectos. “Muitos defendem que o problema da morosidade e insegurança jurídica que envolve o procedimento de licenciamento ambiental está calcado no despreparo dos diversos órgãos ambientais federais, estaduais e municipais responsáveis pela condução do Licenciamento Ambiental, por contarem com corpo técnico reduzido frente ao grande número de demandas, além da falta de capacitação de boa parte de seus funcionários”, analisa Penteado.

Idealizador do projeto “Diálogos sobre Sustentabilidade”, o advogado especialista em Direto Ambiental Luis Fernando Penteado acredita que informar a população sobre proteção ambiental, dignidade social e desenvolvimento econômico é o caminho para a criação de uma lei mais igualitária.

Entre as mudanças propostas, o projeto isenta de licenciamento atividades como a pecuária, a agricultura e a silvicultura; obras de infraestrutura e água e esgoto; drenagem de hidrovias e portos já existentes; obras de ampliação rodoviárias e ferroviárias, dentro dos critérios estabelecidos; obras de transmissão e distribuição de energia em áreas de faixa de domínio já implantadas e algumas de mineração; e ainda prevê o licenciamento ambiental por adesão, que será mero pedido na internet com imediata emissão da licença. “Certamente, os projetos de utilidade pública ou interesse social devem ser vistos como exceção em um procedimento de licenciamento ambiental e deve haver uma relativização na análise geral de seus impactos ao meio ambiente. Entretanto, a simples dispensa de submissão de tais empreendimentos à análise dos órgãos ambientais certamente representará um grande retrocesso à proteção dos recursos naturais no país. Por tais motivos e outros que a discussão da nova norma com a participação da população é tão importante e necessária”, finaliza o professor da PUC-SP.

Para participar do evento, que tem o custo simbólico de R$25 o ingresso, os interessados devem se inscrever no endereço eletrônico https://www.sympla.com.br/ideias-para-o-desenvolvimento-sustentavel---discussao-sobre-o-pl-de-licenciamento-ambiental__151935. A organização do projeto também pede que os participantes façam uma doação, que pode ser um brinquedo, um peça de roupa ou 1 kg de alimento. As doações serão encaminhadas para uma instituição parceira.

O projeto “Diálogos sobre Sustentabilidade” irá reunir mensalmente, a partir deste evento, especialistas em diversas áreas para discussões de temas de sustentabilidade na Região Metropolitana de Campinas, buscando um maior empoderamento da população sobre os diversos assuntos acerca da proteção ambiental, dignidade social e desenvolvimento econômico.

 

Programação

Das 8h30 às 9h - Recepção com café

Das 9h às 10h - Palestra do Prof. Msc. Luis Fernando de Freitas Penteado

Das 10h às 10h50 - Palestra do Prof. Dr. Antônio Carlos Demanboro

Das 10h50 às 11h30 - Sessão aberta a perguntas e encerramento

 

Sobre os facilitadores

Luis Fernando de Freitas Penteado é advogado, mestre em Direito Ambiental pela PUC-SP. Auditor ISO 14.001 pela Fundação Vanzolini (USP). Cursou MBA em Gestão Empresarial em Negócios pela FIA (USP). Professor da pós-graduação (Especialização) da PUC-SP/COGEAE e Professor convidado na UNICAMP, em matérias de Direito Ambiental. Curso técnico de áreas contaminadas pela CETESB. Foi assessor jurídico da Fundação da Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e da Secretaria de Meio Ambiente do Município de Ferraz de Vasconcelos. Sócio Fundador do escritório Freitas Penteado Sociedade de Advogados, especializado em Direito Ambiental.

Prof. Dr. Antônio Carlos Demanboro é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de Campinas em regime de dedicação integral. Atua como pesquisador junto aos Programas de Mestrado em Sistemas de Infraestrutura Urbana, Sustentabilidade e Engenharia Elétrica. É professor do curso de Graduação em Engenharia Ambiental. Tem experiência na área de Engenharia, com ênfase em Saneamento, Gestão Ambiental e Planejamento Energético, atuando principalmente nos seguintes temas: meio ambiente, sustentabilidade, economia de recursos naturais, gestão ambiental e energia. Possui graduação em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1986), mestrado em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (1990) e doutorado em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Foi diretor do curso de Engenharia Ambiental no período 2010-2013. Atualmente é Coordenador Geral de Pesquisa e Coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica da PUC-Campinas. 

Msc. Rodrigo Semeria Ruschel é mestre em Sistemas de Infraestrutura Urbana com ênfase em Sustentabilidade, graduado em Engenharia Ambiental pela PUC de Campinas. Como bolsista do Programa Ciência Sem Fronteiras na Michigan State University, Estados Unidos, participou de projetos e pesquisas na área Socioambiental. Desde 2012 atua na área de Meio Ambiente e Sustentabilidade e em 2017 fundou a Sustentta Habilidades e Soluções, com o objetivo de resgatar e potencializar as virtudes e capacidades do ser humano, através de ideias, projetos e ações que promovam um desenvolvimento socioambiental consciente.