Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Trama de meninos e Filme: Sobreviventes

Dica de livro: Trama de meninos

Os contos de Carrascoza nos trazem experiências delicadas e marcantes, felizes e tristes, numa tessitura minuciosa sobre os anseios de cada um de nós. Em "Começo", história que abre este volume, um pai sente a tristeza da despedida. O filho vai pegar a estrada e voltar para a cidade, depois de um dos poucos finais de semana em que estiveram juntos.


No conto final, "Últimas", há um pai que aguarda. Aguarda seu filho, que percorre a estrada para encontrá-lo, depois de tanto tempo sem se verem. Mas há interrupções no caminho, há imprevistos, e, assim como o pai, nós leitores nos angustiamos com sua demora, ansiamos pela sua chegada, quando finalmente estará seguro.


Entre a despedida de um pai e a espera de outro, tramas de vidas se entrelaçam, se completam ou se desfazem. Algumas são interrompidas de forma trágica. Outras claudicam, chegam perto da ruína, mas se regeneram com fios mais fortes. Há saudade pelos que se foram, há luta, há esperança na abertura de novas possibilidades.

Fonte: Amazon

Dica de filme: Sobreviventes

Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

Bibliotecária e Psicóloga formada há alguns anos. Atua na área de psicologia com consultório e no SOS Ação mulher e família como Psicóloga voluntária. Cursou biblioteconomia por adorar os livros e assim ficou conhecendo mais profundamente a história literária. Através de filmes e livros consegue entrar em mundos reais, imaginários , fantásticos o que deixa o coração e a mente livres para conhecer, acreditar e principalmente sonhar. Email: luser8363@gmail.com

Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Dakota Blues, Simone AZ e Filme: Homem com H, Netflix.

Dica de livro: Dakota Blues, Simone AZ

Romance de formação que percorre a história recente do Brasil, Dakota Blues recupera canções, artistas e filmes que marcaram uma geração e exalta os principais momentos da juventude através de sua narradora Alice, uma jovem ao mesmo tempo ensimesmada e em fuga de si.

Alice é ainda uma criança quando o pai morre num acidente de carro. Foi ele quem a ensinou a gostar de música, cinema, arte, tudo o que viria a formar sua identidade. Mas a vida segue — a mãe tentando lidar com a viuvez e as contas que se acumulavam, a irmã focada no novo namorado, o irmão exilado no auge da ditadura militar. É a década de 1970, e o Brasil está em ebulição.
Mais velha, Alice decide estudar jornalismo, e na faculdade conhece Nando, seu primeiro amigo abertamente gay. A relação de cumplicidade que se estabelece entre eles é maior do que a de qualquer amor que Alice desejasse, mesmo que o procurasse em outras pessoas. É o final dos anos 1980, e a epidemia de aids toma proporções inauditas.
Para escapar dos lutos e frustrações que parecem persegui-la, Alice viaja para Nova York, onde encontra uma nova paixão, novos amigos, uma nova Alice. A última década do milênio promete transformações. É quando surge Antônio, quem dá tom e letra ao melancólico blues de Alice.
Com uma prosa despojada que amadurece com a protagonista ao longo das páginas, Simone AZ elabora o retrato de uma geração que atravessou décadas de conturbada trajetória política, enquanto constrói — com o humor e os dramas de uma jovem em constante transformação — um sofisticado quebra-cabeça, cujas peças só se encaixarão por completo ao final.

"Um livro divertido, leve, profundo, sedutor, complexo, irresistível, tudo ao mesmo tempo. Nele Simone AZ realiza o famoso conselho de Paul Valéry: 'É preciso ser leve como o pássaro…'. E Simone criou esse pássaro perfeito." — Carola Saavedra

"Com uma escrita cativante e hipnótica, Simone AZ nos conduz pelos labirintos do amadurecimento e da onipresença da morte." — Giovana Madalosso

Fonte: Amazon

Dica de filme: Homem com H, Netflix.

Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

Bibliotecária e Psicóloga formada há alguns anos. Atua na área de psicologia com consultório e no SOS Ação mulher e família como Psicóloga voluntária. Cursou biblioteconomia por adorar os livros e assim ficou conhecendo mais profundamente a história literária. Através de filmes e livros consegue entrar em mundos reais, imaginários , fantásticos o que deixa o coração e a mente livres para conhecer, acreditar e principalmente sonhar. Email: luser8363@gmail.com

 

Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: O acontecimento de Anne Ernaux e Filme: Emilia Perez

Dica de livro: O acontecimento de Anne Ernaux

Em 1963, Annie Ernaux, então uma estudante de 23 anos, engravida do namorado que acabara de conhecer.

Sem poder contar com o apoio dele ou da própria família numa época em que o aborto era ilegal na França, ela vive praticamente sozinha o acontecimento que tenta destrinchar neste livro quarenta anos depois, quando já é uma das principais escritoras de seu país.

Com a ajuda de entradas de seu diário e de memórias há muito guardadas, Ernaux reconstrói seu périplo solitário para realizar um aborto clandestino. Ao refletir sobre a onipresença da lei e seu imperativo sobre o corpo feminino, Ernaux nos apresenta mais uma face da mescla indissociável do íntimo e do coletivo tão característica de todo o seu percurso literário.

Quando por fim encontra uma “fazedora de anjos” disposta a realizar o serviço, a jovem acaba na ala de emergência de um hospital. Anos se passam sem que ela tenha coragem de revisitar o episódio.

Em sua relação radical com a escrita, porém, Ernaux encontra o caminho para falar publicamente de seu aborto e fazer da literatura uma profissão de fé, que comove pela honestidade cortante: “o verdadeiro objetivo da minha vida talvez seja apenas este: que meu corpo, minhas sensações e meus pensamentos se tornem escrita, isto é, algo inteligível e geral, minha existência completamente dissolvida na cabeça e na vida dos outros”.

Fonte: Amazon

Dica de filme: Emilia Perez

Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

Bibliotecária e Psicóloga formada há alguns anos. Atua na área de psicologia com consultório e no SOS Ação mulher e família como Psicóloga voluntária. Cursou biblioteconomia por adorar os livros e assim ficou conhecendo mais profundamente a história literária. Através de filmes e livros consegue entrar em mundos reais, imaginários , fantásticos o que deixa o coração e a mente livres para conhecer, acreditar e principalmente sonhar. Email: luser8363@gmail.com

 

Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Sonetos de amor e de sacanagem, Gregório Duvivier. e Filme: Assassino por acaso

Dica de livro: Sonetos de amor e de sacanagem, Gregório Duvivier.


Ah, o amor ― te dirão ― é coisa séria!/ mas, depois de brincar de gato e rato,/ quem brincou já não quer pagar o pato/ e do amor só herdamos a bactéria.” Nos 48 sonetos reunidos aqui, Gregorio Duvivier visita uma ampla galeria de assuntos. Descreve a angústia e o tédio da adolescência. Comenta o noticiário, a política, o Brasil e a pandemia. Analisa a língua portuguesa, os modismos importados na Faria Lima, a pecha de preguiçoso do carioca, as manias lusitanas e os cacoetes franceses.
Há dois temas, no entanto, que se sobressaem em meio a tantos outros: o amor e o sexo, que aparecem sempre acompanhados de boas doses de niilismo, paranoia, obsessão e autoironia. São flertes que não chegam a se concretizar, ou que até se concretizam, mas não terminam exatamente como o esperado. No fim das contas, parece que o prazer, quando vem, sempre traz a reboque um inexplicável medo de morrer.
Em Sonetos de amor e sacanagem , Gregorio se apropria com maestria da forma fixa do soneto e retrata, com sua verve singular, a tragicomédia contemporânea ― feita de encontros e, sobretudo, desencontros.

“Se livro fosse remédio,/ eu tomaria esse contra o tédio/ e o folhearia a todo o tempo,/ só para aplacar o meu tormento./ O Gregorio é misto de liceu francês com Lapa./ Nele sobra humor, amor, baixaria e lábia./ Como pode um menino tão educado/ Ser, assim, tão desbocado?/ Se você, leitor, anda triste com o agora,/ leia esses poemas sem demora/ e verá que a vida tem solução,/ mesmo com as notícias da televisão.” ― Fernanda Torres

 “Os deliciosos sonetos de Gregorio ― todos (menos um) compostos em decassílabos e (quase sempre) rimados ― associam o capricho formal à informalidade e ao humor da dicção. Boa parte do humor vem das rimas inesperadas: quem, antes dele, jamais encontrou uma rima completa para ‘próstata’? Glauco Mattoso, que revivifica Gregório de Matos, tem em Gregorio Duvivier um digníssimo sucessor.” ― Paulo Henriques Britto

Fonte: Amazon

Dica de filme: Assassino por acaso

Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

Bibliotecária e Psicóloga formada há alguns anos. Atua na área de psicologia com consultório e no SOS Ação mulher e família como Psicóloga voluntária. Cursou biblioteconomia por adorar os livros e assim ficou conhecendo mais profundamente a história literária. Através de filmes e livros consegue entrar em mundos reais, imaginários , fantásticos o que deixa o coração e a mente livres para conhecer, acreditar e principalmente sonhar. Email: luser8363@gmail.com

Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Mandíbula e Filme: Um completo desconhecido

Dica de livro: Mandíbula de Monica Ojeda

Fernanda, uma insolente estudante do Ensino Médio apaixonada por literatura e filmes de terror, acorda com os pés e as mãos amarrados em uma cabana no meio da floresta. Sua sequestradora, entretanto, não é uma estranha. Trata-se de Miss Clara, a professora de Literatura, uma mulher assombrada pela memória da própria mãe e assediada durante meses por suas alunas do Colégio Bilíngue Delta, uma escola católica de elite. Rapidamente, os motivos do sequestro se revelarão muito mais complexos e sombrios do que a vingança pelos traumas sofridos pela professora.

Com um texto imaginativo e surpreendente, a equatoriana Mónica Ojeda cria neste romance não apenas personagens desconcertantes, mas também uma ambientação perturbadora para uma narrativa de nuances e contornos tênues entre o horror, o desejo e a perversidade, investindo nas relações de professoras e alunas, mães e filhas, irmãs e amigas do coração.

Aqui, o medo e sua relação com os laços familiares, a sexualidade e a violência que espreita o amor estão expressos, várias vezes literalmente, por meio da mordida feroz e do ataque quase sexual, das brincadeiras dolorosas e da confiança quase dependente entre meninas e mulheres que se conectam, mas também se (a)traem. O rapto revelado já nas primeiras páginas será apenas o começo de uma jornada aterradora e viciante pela escrita de Mónica Ojeda.

Fonte: Amazon

Dica de filme: Um completo desconhecido

Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

Bibliotecária e Psicóloga formada há alguns anos. Atua na área de psicologia com consultório e no SOS Ação mulher e família como Psicóloga voluntária. Cursou biblioteconomia por adorar os livros e assim ficou conhecendo mais profundamente a história literária. Através de filmes e livros consegue entrar em mundos reais, imaginários , fantásticos o que deixa o coração e a mente livres para conhecer, acreditar e principalmente sonhar. Email: luser8363@gmail.com

Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Andaimes, Mário Benedette e Filme: Conclave

Dica de livro: Andaimes, Mário Benedette

Neste romance, Mario Benedetti dá, em tom bastante pessoal, sua visão do retorno ao lar depois de anos de exílio. Um reencontro tão almejado quanto impossível. Após viver vários anos exilado na Espanha, Javier retorna ao Uruguai para reconstruir a vida, talvez do momento em que partiu. Gradualmente, ao longo de conversas e desencontros, cartas, notícias e reflexões – os andaimes de que fala o título –, percebe que a situação econômica e a política mudaram bastante, que os amigos e companheiros de luta transformaram-se em sentidos diversos, às vezes conflitantes. É necessário lidar com mágoas e decepções. O que resta de um país, de um sonho, de tantos afetos?

Fonte: Amazon

Dica de filme: Conclave

Luciana Andrade

Coluna Dicas de Livros e Filmes

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Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Os detetives selvagens, Roberto Bolano e Filme: Anora

Dica de livro: Os detetives selvagens, Roberto Bolano


Os protagonistas de  Os detetives selvagens são Arturo Belano e Ulises Lima, dois poetas "marginais", mas em poucos trechos do livro são eles que conduzem a ação. O leitor sabe deles quase sempre através do olhar de outros personagens, numa investigação típica de romance policial. Por sua vez, Belano e Lima também estão numa busca detetivesca, atrás dos rastros de uma misteriosa poeta vanguardista que desapareceu no deserto de Sonora, no norte do México.
Na primeira parte, escrita em forma de diário, acompanhamos as andanças dos dois e seu grupo de poetas adeptos do "realismo visceral" em muitas conversas de bar, discussões intelectuais, encontros e desencontros sexuais, puxadas de fumo, num clima típico dos jovens daquela década. A segunda parte é composta por dezenas de "depoimentos" que reconstituem a trajetória de Arturo Belano e Ulises Lima durante os vinte anos que sucedem o diário. Cabe ao leitor-detetive fazer esta reconstituição, a partir dos fiapos que vai colhendo dos "depoentes", alguns dos quais contam longas histórias (sempre muito interessantes) que pouco ou nada têm a ver diretamente com os dois enigmáticos protagonistas. Bolaño exercita aqui sua capacidade de dar a palavra a múltiplas e diferentes vozes e de fazer paródias hilariantes. A terceira parte retoma o diário, relata a busca pela poeta Cesárea Tinajero e explica, de certa forma, as duas décadas de errância dos protagonistas.
Na verdade, com muito humor, ironia corrosiva e algum desespero, Bolaño faz o balanço de uma geração intelectual que era demasiado jovem quando havia projetos de transformação radical da América Latina e do mundo e que, ao chegar à idade de participar, descobriu que só restavam escombros e cadáveres.

"A linguagem vigilante e cheia de graça de Bolaño, sua maneira de construir textos ao mesmo tempo desconcertantes, brilhantes e infinitamente próximos, é uma forma de resistir ao mal, à adversidade, à mediocridade." - Le Monde

"O tipo de romance que Borges teria escrito [...]. Um livro original e belíssimo, divertido, comovente, importante." - Ignacio Echevarría, El País

"Um fecho histórico e genial para O jogo da amarelinha de Cortázar [...] uma fenda que abre brechas pela quais haverão de circular novas correntes literárias do próximo milênio." - Enrique Vila-Matas, Letras Libres

Fonte: Amazon

Dica de filme: Anora

Luciana Andrade

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Dicas de livros e filmes por Luciana Andrade - Livro: Não é como nos filmes de Lynn Painter e Filme: Maria Callas

Dica de livro: Não é como nos filmes de Lynn Painter

Wes e Liz viveram uma história de amor inesquecível e foram juntos para a Universidade da Califórnia. Mas o universo parecia ter outros planos para eles. De uma hora para outra, a vida de Wes virou de ponta-cabeça, e ele precisou voltar para casa e tomar uma decisão inesperada: terminar com Liz.

Dois anos depois, Wes convence os treinadores, ganha outra chance no time e volta à universidade. Mais maduro e determinado, ele vai fazer de tudo para reconquistar a garota dos seus sonhos. E conta com um plano perfeito para isso.

Liz, por outro lado, não parece disposta a facilitar as coisas. Afinal, não é tão simples perdoar o garoto que partiu seu coração. Além disso, ela precisa conciliar as aulas com um emprego e um estágio superimportante, mas o reencontro com Wes abala suas certezas. E tudo fica mais complicado quando ela começa a acompanhar a equipe de beisebol para um documentário.

Só que… Liz tem um novo namorado. Então talvez seja tarde demais para Wes reconquistar a garota que ele ama. Será que os dois estão dispostos a reescrever essa história? Ou será que, na vida real, o “felizes para sempre” não é como nos filmes?

Muito aguardada pelos fãs, a sequência do best-seller Melhor do que nos filmes faz inúmeras referências às músicas da Taylor Swift e a clássicos da comédia romântica e alterna os pontos de vista entre Wes e Liz.

Fonte: Amazon

Dica de filme: Maria Callas


Luciana Andrade

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