“Solidão no inverno: como corpo e emoções respondem aos dias frios” - Coluna Psicologia por Dra. Elisa Maria Pereira

Com a chegada do inverno, muitas pessoas percebem mudanças não apenas no clima, mas também nas emoções. Os dias mais frios e curtos parecem trazer junto maior sensação de tristeza, cansaço emocional, introspecção e solidão.

O frio modifica a rotina, reduz encontros sociais e aumenta o tempo dentro de casa. Além disso, a menor exposição à luz solar interfere na produção de serotonina e melatonina, substâncias importantes para o humor, energia e sono.

Por isso, durante essa época do ano, muitas pessoas relatam desânimo, irritabilidade, excesso de sono, sensação de vazio emocional e maior vontade de isolamento.

Mas existe diferença entre solitude e solidão.

A solitude é a capacidade de estar consigo mesmo de forma saudável, aproveitando momentos de reflexão, descanso e autoconhecimento. Já a solidão costuma vir acompanhada de sofrimento emocional, vazio interno e sensação de desconexão.

Muitas vezes, a pessoa está cercada de pessoas e ainda assim sente-se profundamente sozinha.

Pela visão da Psicologia Corporal Reichiana, criada por Wilhelm Reich, emoções não ficam apenas na mente. Elas também se manifestam no corpo.

Quando alguém vive sofrimento emocional prolongado, o organismo tende à contração: respiração mais superficial, tensão muscular, sensação de peso corporal e fechamento emocional.

No inverno, esse movimento de contração costuma aumentar. As pessoas ficam mais recolhidas, menos expansivas emocionalmente e mais isoladas.

Existe também um quadro chamado Transtorno Afetivo Sazonal, um tipo de depressão relacionado às mudanças de estação, especialmente durante o outono e inverno. Os sintomas incluem tristeza persistente, desânimo, excesso de sono, irritabilidade e maior tendência ao isolamento.

Esse transtorno é bastante estudado em países como Inglaterra e Canadá, onde os invernos são mais rigorosos e existe menor incidência de luz solar. Nessas regiões, muitas pessoas relatam piora importante no humor durante os meses mais frios.

Mesmo no Brasil, também percebemos impacto emocional importante no inverno, porque não é apenas a temperatura que influencia o emocional, mas também as mudanças na rotina, nos vínculos e no contato social.

A solidão não é considerada uma doença, mas quando se torna intensa e persistente pode afetar diretamente a saúde mental e física.

Por isso, a Psicologia orienta alguns cuidados importantes durante o inverno:

  • evitar isolamento prolongado;

  • manter vínculos afetivos;

  • preservar uma rotina;

  • praticar atividade física;

  • aproveitar a luz natural;

  • criar momentos de convivência;

  • acolher as próprias emoções sem julgamento.

Pela Psicologia Corporal Reichiana, tudo aquilo que favorece movimento, respiração, conexão e expansão emocional ajuda o organismo a sair do estado de retraimento.

E quando a solidão começa a afetar a qualidade de vida, os relacionamentos e a disposição emocional, procurar ajuda psicológica é fundamental.

O inverno pode ser um convite ao recolhimento, mas não ao abandono emocional.

Cuidar da saúde mental, fortalecer vínculos e escutar o próprio corpo também fazem parte do equilíbrio emocional.



Elisa Maria Pereira

Coluna Psicologia

Psicóloga , Palestrante e Mentora de Casais Especialista em Dinâmica emocional e relacional @psicologa.elisapereira

Bate papo sobre solidão com a Psicanalista, Adriana Monteiro

Na última quinta-feira, tive um bate papo super agradável sobre solidão com a psicanalista, Adriana Monteiro, nos encontramos no Nebline Confeitaria e foi uma tarde deliciosa!

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Abordamos este tema, pois eu tenho notado muito deste sentimento no meio de influencers e pessoas que trabalham com mídias!

Vejam nosso bate papo e me contem se gostaram!

Sozinho na multidão - Coluna Psicologia por Leticia Kancelkis

 

Cada um de nós nasce com um potencial para compreender o mundo, para trazê-lo para dentro do coração e cada um, de acordo com esse potencial e com as experiências vividas, ocupa um lugar, psiquicamente falando. Esse “lugar” pode não ser encontrado e ocupado tão facilmente. Tudo depende de como a pessoa pôde construir a própria identidade e de como ela a sente em relação ao outro que o rodeia.

Muitos de nós nos sentimos simplesmente sem lugar, sem a chance de exercer o direito de ocupá-lo. Isso pode decorrer de ideias fantasiosas de que não se pode ser o que é, entendendo, possivelmente, que é necessário adaptar-se e atender tão somente às expectativas do outro, como se fosse possível ser como um líquido que assume a forma do recipiente que o contém.

Esses movimentos psíquicos, além de infrutíferos por serem repetições de conflitos inconscientes, são extremamente cansativos, extenuantes. Afinal, isso parece uma busca infindável por si mesmo, pela resposta à pergunta: “Quem posso ser sem que, com isso, eu perca aqueles a quem amo?”

Sim, parece-me que é a fantasia inconsciente de que é necessário ser o que o outro quer que o sujeito seja, que move esse tipo de funcionamento e que o faz sentir-se aterrorizado pela ideia de estar/ficar sozinho como consequência de seu fracasso em ser verdadeira fonte inesgotável de atendimento das expectativas imaginadas que o outro teria em relação a ele. Afinal, isso é impossível; está no campo do imaginário.

Tudo isso acontece de uma forma muito escondida na mente e traz bastante sofrimento pelo sentimento de solidão que pode se instalar junto com a ideia de que a própria pessoa provocou isso. É fácil existir, então, um sentimento de culpa associado a ele.

Sente-se sozinho no meio da multidão? O que estaria por trás disto? Convido você a sondar seu coração, buscando identificar sentimentos e ideias que podem estar ligados a estes, dos quais falamos aqui. Somente quando identificamos e compreendemos questões como estas, é que podemos fazer com que percam a força de nos prejudicarem. 

Leticia Kancelkis

Coluna Psicologia

Formada em Psicologia desde 1999, Mestre e Doutora em Psicologia Clínica de referencial Psicanalítico pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC Campinas). Autora dos livros: “O Sol Brilhará Amanhã: Anuário de uma mãe de UTI sustentada por Deus” e “Uma menina chamada Alegria”. Atua como Psicóloga Clínica, atendendo também por Skype. Contato:leticia.ka@hotmail.com