Você conhece os primeiros 2200 dias da criança? Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

Provavelmente você já ouviu falar sobre o Período dos Mil dias, mas e sobre os primeiros 2200 dias? Você conhece ?

Evidente que os primeiros 1000 dias são fundamentais , contudo, a ciência tem apontado para uma expansão deste período, sugerindo uma nova janela de oportunidades desde a fase pré-concepcional até os primeiros 5 anos de vida, visto ser um período crítico para a saúde física, cognitiva, social e emocional da criança.

Desde março de 2022 , a revista Pediatrics publicou uma revisão dos marcos de desenvolvimento infantil, baseada em estudos recentes que estabelecem as habilidades alcançadas por idades específicas, assim como suas faixas de normalidade.

A formação do indivíduo depende muito dos primeiros 2200 dias de vida, por isso é extremamente importante o acompanhamento pediátrico, buscando identificar alterações, realizando uma intervenção o mais precoce possível, e garantindo a saúde presente e futura das crianças.

A janela de 2.200 dias compreende: 100 dias na pré-concepção + 270 dias de gestação + 1.830 dias do primeiro ao quinto ano de vida.

Essa atualização engloba quatro categorias:

1)Socioemocionais: capacidade de expressar emoções de forma eficaz, seguir regras e instruções, formar relacionamentos positivos e saudáveis;

2)Cognição: capacidade de pensar, aprender e resolver problemas;

3)Linguagem/Comunicação: capacidade de absorver e aprender a usar a linguagem;

4)Motores: capacidade de aprender habilidades motoras grossas e finas, por exemplo: sentar, engatinhar, ficar de pé, andar.

No meu próximo texto vamos conversar um pouco sobre cada etapa dos 2200 dias.

Dra. Carolina Calafiori de Campos

Coluna Pediatria

Dra Carolina Calafiori de Campos - CRM 146.649 RQE nº 73944 

Médica Formada pela Faculdade de Medicina de Taubaté, Especialização em Pediatria pelo Hospital da Puc Campinas, Especialização em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital da Puc Campinas, Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria - Contato: carolinacalafiori@hotmail.com

 

Tempo frio e as crises de asma - cuidado! - Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

A asma é uma doença crônica que tem fatores genéticos predisponentes , e alguns fatores externos que podem desencadear as crises , como poeira , ácaro, poluição , agentes infecciosos, e mudança de temperatura, entre outros.



Na crise asmática acontece um espasmo da musculatura lisa das vias aéreas inferiores, além de edema ( inchaço ) , aumento da secreção de muco e estreitamento da via aérea.

Os principais sintomas são :

Dificuldade para respirar e falta de ar

Sensação de aperto

Tosse

Chiado no peito ( sibilância )

Os sintomas podem piorar à noite e podem ser exacerbados por infecções respiratórias ou alérgenos inalatórios ( poeira , ácaro etc )

Mas existe uma maneira de prevenir essas crises ! Em muitos casos é possível evitar o fator desencadeante da crise , como no caso de poeira , ácaro , perfumes … mas o ar frio não conseguimos controlar .

Por isso , além do controle do ambiente , e a educação do paciente e da família , algumas crianças tem indicação de tratamento de manutenção , o que depende da classificação da gravidade do quadro.

Essas medicações vão desde Corticoides inalatórios ( bombinha e espaçador ), até os antagonistas dos receptores dos leucotrienos ; o melhor tratamento depende do quadro clínico da criança !

Por isso se você tem um filho asmático não deixe de passar em consulta com o pediatra ou pneumo pediatra para avaliar se há necessidade de um tratamento profilático.

Dra. Carolina Calafiori de Campos

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Dra Carolina Calafiori de Campos - CRM 146.649 RQE nº 73944 

Médica Formada pela Faculdade de Medicina de Taubaté, Especialização em Pediatria pelo Hospital da Puc Campinas, Especialização em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital da Puc Campinas, Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria - Contato: carolinacalafiori@hotmail.com

 



Bronquiolite viral aguda em bebês - Coluna Pediatria de Dra. Carolina Calafiori de Campos

A bronquiolite é uma infecção frequente dos bronquílolos pulmomares ,causada por  vírus, sendo a maior parte dos casos originada pelo VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO (VSR).

É a infecção respiratória aguda mais comum em bebês com idade inferior a 2 anos, com incidência maior naqueles com idade inferior a 6 meses e ocorre em consequência da obstrução inflamatória das pequenas vias aéreas ( bronquíolos )

Outros vírus causadores da bronquiolite são : influenza; rinovírus; parainfluenza (tipos 1 e 3); adenovírus; metapneumovírus; bocavírus humano.

Os bebês pequenos estão mais suscetíveis a essa infecção pelas seguintes razões :

1)a superfície de troca gasosa nos pulmões ainda não está plenamente desenvolvida, e a resistência da via aérea é alta nos primeiros meses de vida;

2)o calibre das vias aéreas dos bebês é menor;

3)os anticorpos adquiridos passivamente da mãe durante a vida intrauterina, que protegem contra uma variedade de patógenos, caem de forma brusca nos primeiros meses após o nascimento, expondo o bebê a diversas doenças, logo o pulmão da criança de baixa idade é relativamente mal adaptado para suportar agressões e desenvolve enfermidades mais facilmente.

Os vírus são transmitidos através de minúsculas gotículas provenientes do nariz e da boca de alguém infectado, quando a pessoa tosse ou espirra ou quando pessoa infectada contamina algum objeto.

O vírus provoca uma inflamação e um inchaço das minúsculas vias respiratórias no interior dos pulmões, as quais se denominam bronquíolos.

Os sintomas costumam variar de criança para criança. Algumas podem apresentar poucos sintomas ou sintomas mais leves em comparação a outras.

A bronquiolite começa como uma leve infecção respiratória, com tosse , coriza , acompanhada ou não de febre .Depois de 2 a 3 dias, a criança desenvolve ainda mais problemas respiratórios, incluindo chiado no peito e desconforto respiratório.

Os sintomas mais comuns são: Tosse , cansaço , febre , cianose, (caracterizada pela pele azulada devido à falta de oxigênio); dificuldade para respirar, incluindo chiado no peito e falta de ar,retrações intercostais, em que os músculos ao redor das costelas afundam à medida em que a criança tenta respira , respiração rápida (taquipneia), e batimento das asas nasais.

Geralmente os sintomas duram uma semana , sendo o pico da doença em torno do terceiro dia.

Após um diagnóstico com a história clínica e exame físico , o pediatra estabelecerá um tratamento ,que na maioria das vezes é sintomático, além do uso de broncodilatadores via inalatória.

Alguns casos mais graves necessitam de internação hospitalar e uso de oxigênio suplementar.

Em casos de dúvidas procure sempre seu Pediatra

Dra. Carolina Calafiori de Campos

Coluna Pediatria

Dra Carolina Calafiori de Campos - CRM 146.649 RQE nº 73944 

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Nova vacina do HPV - mais proteção para as crianças e jovens - Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

Desde 2014 o SUS incorporou a vacina do HPV no calendário vacinas, inicialmente para meninas e , desde 2017 , também para os meninos.

A vacina distribuída pelo SUS é do tipo recombinante não viva contendo antígenos do papilomavírus humano (HPV), protegendo contra quatro tipos de HPV: 6, 11, 16 e 18.

Os tipos 6 e 11 não estão relacionados com câncer, mas são causadores de verrugas genitais. Já os tipos 16 e 18 são potencialmente oncogênicos, podendo provocar o câncer.

Recentemente o laboratório Merck lançou uma nova vacina do HPV nonavalente intramuscular, que protege contra 09 sorotipos do HPV : a vacina GARDASIL® 9, a qual contém os mesmos quatro sorotipos da vacina anterior do HPV (6, 11, 16 e 18), além de mais cinco novos tipos de HPV (31, 33, 45, 52 e 58).

A vacina Gardasil 9 está disponível apenas na rede privada de vacinação.

Quem pode receber essa vacina ? Meninas e mulheres de 9 a 45 anos de idade e meninos e homens de 9 a 45 anos.

O esquema de doses é :

De 09 a 14 anos- duas doses com intervalo de seis meses entre elas.

De 15 a 45 anos : três doses com intervalo de dois e seis meses entre as doses.

Quais doenças essa vacina previne ? Nas meninas e mulheres , ela protege contra cânceres e lesões pré-cancerosas de colo do útero , da vulva , da vagina e do ânus; verrugas genitais; e a infecção persistente pelo HPV.

Nos meninos e homens, ela protege contra o câncer e as lesões pré-cancerosas do ânus; contra as verrugas genitais; e a infecção persistente pelo HPV.

Se seu filho/ filha já tomou a vacina quadrivalente no SUS , e você deseja protegê-lo com a a vacina nova , você deve aguardar um ano para iniciar Gardasil 9.

Caso o paciente iniciou o esquema vacinal com Gardasil 4 , mas ainda não completou e deseja migrar para Gardasil 9, deve aguardar o intervalo de 2 meses entre Gardasil 4 para Gardasil 9 , e assim fazer esquema vacinal completo.

Veja o esquema de doses da vacina :
De 9 a 14 anos de idade : 2 doses , com intervalo de 6 meses entre elas.
De 15 a 45 anos de idade: 3 doses com intervalo de 2 meses entre a primeira e segunda dose , e de 6 meses entre a segunda e terceira dose.

Converse com seu Pediatra sobre a vacina.

Dra. Carolina Calafiori de Campos

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Por que não devemos usar gel anestésico no nascimento dos dentes dos bebês? Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

O nascimento dos dentinhos do bebê causa muito incômodo para a criança , gerando angústia nos pais.

Buscando uma solução para esse incômodo , muitos acreditam que o uso de substâncias como o Nenê dente gel, vai aliviar o desconforto; mas ATENÇÃO: esse produto não é recomendado, pelo seu risco à saúde dos bebês .

Alguns produtos americanos contém a BENZOCAÍNA na sua composição, uma substância que age como anestésico local bloqueando a condução de impulsos nervosos. Seu uso não exige prescrição médica e é regulado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seguindo as recomendações de dosagem para cada tipo de aplicação e paciente. 

PORÉM essa substância pode causar uma condição chamada metahemoglobinemia , na qual a quantidade de oxigênio transportada através do sangue fica reduzida, podendo ser fatal e resultar em morte em crianças menores de 2 anos de idade.

No Brasil o gel mais usado é o Nenê Dente , o qual possui na sua composição um anestésico, chamado LIDOCAÍNA. Sua venda é autorizada , porém a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) NÃO recomenda o uso, assim como a maioria dos Pediatras.

Assim como a benzocaína , a lidocaína também pode levar a alterações sérias e quando administrada em excesso, pode causar confusão, problemas com a visão, vômitos, sonolência, queda de pressão , tremores e até convulsões.

A pomada também pode ser deglutida pelo bebê , anestesiando parte da faringe e das vias respiratórias da criança , ocasionando engasgos e dificuldade respiratória.

Quer mais uma razão para não usar esse gel ? Os bebês salivam muito nessa fase , com isso o gel sai rapidamente da gengiva , logo não são úteis para diminuir a dor do nascimento dos dentes.

Mas então qual é a solução ? Use mordedores para alívio do incômodo , alguns deles podem ser levados para a geladeira , e também podem ser usados com segurança nos bebês.

Dra. Carolina Calafiori de Campos

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Seis dicas na hora de cortar as unhas do bebê - Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

Seis dicas na hora de cortar as unhas do bebê :

Geralmente os bebês nascem com unhas bem molinhas , porém elas são grandes e afiadas, podendo arranhar e até cortar a criança .

Nos primeiros dias de vida as unhas são muito moles e ficam próxima à carne do dedo, por isto o ideal é esperar em torno de dez dias para elas se tornarem mais duras e você ter firmeza suficiente para cortá-las.

Aqui vão algumas dicas na hora de cortar a unha da criança :

1)Se possível faça isso com mais uma pessoa, pois enquanto um segura o bebê o outro corta as unhas;

2)Use uma tesoura de ponta arredondada específica para bebês ou lixa para unhas pequenas ou cortadores retos ( eu particularmente prefiro as tesouras de ponta redonda);

3) Espere o melhor momento para cortar tanto as unhas dos pés quanto das mãos , já que os bebês se mexem muito, por isso prefira quando ele estiver dormindo ou até mamando;

4)A paciência e a delicadeza são fundamentais;

5)Corte uma unha por vez e de preferência em linha reta para não encravar;

6)Se a unha encravar e a região ficar vermelha e inflamada , não mexa! o ideal é procurar seu pediatra para que ele passe o melhor e mais adequado tratamento.

Lembrando que nenhum post substitui uma consulta; procure sempre seu pediatra.

Dra. Carolina Calafiori de Campos

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Cafeína: cuidado com as crianças - Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

De 7 a 11 de outubro de 2022 ocorreu o National Conference & Exhibition da American Academy of Pediatrics (AAP) em Anaheim, CA.

Uma palestra proferida pelo Prof. Mark R Corkins (Professor of Pediatrics, University of Tennessee) e membro do comitê de nutrição da AAP repercutiu muito durante a conferência, e depois, em reportagens na imprensa leiga em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Ele relatou casos de crianças menores de cinco anos que chegavam à sala de emergência dos hospitais americanos com batimentos cardíacos irregulares e taquicárdicos sem nenhuma causa aparente, mas após rigorosa anamnese descobria-se que haviam consumido refrigerantes, principalmente do tipo cola, ou em muitos casos café ou chá horas antes do evento.





Em 01 de novembro de 2022, a Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu uma Nota de Alerta : “Cafeína: Cuidado com as Crianças”, pelo Departamento de Pediatria Ambulatorial.

Sobre o artigo alguns pontos importantes sobre o uso de cafeína em crianças e adolescentes:

1) A cafeína está presente em chás , cafés , chimarrão, cacau/chocolate , refrigerantes e energéticos.

2)Crianças e adolescentes são mais propensos aos efeitos agudos da cafeína, com maior risco de intoxicação, devido ao fato de não terem sido expostos cronicamente, portanto sem tolerância farmacológica. Por esse motivo, para crianças, as doses de cafeína que são consideradas seguras são bem menores.

3)A cafeína atua como estimulador do sistema nervoso central e periférico.

4)Um dos estudo envolvendo 4243 crianças em idade escolar mostrou que crianças que consumiam café ou refrigerante diariamente apresentavam risco duas vezes maior de apresentar distúrbios do sono.

5)Pelos relatos e documentação científica fica claro que a ingestão de bebidas contendo cafeína por crianças e adolescentes, não traz benefícios à saúde, muito pelo contrário pode até interferir no desenvolvimento neurocognitivo, influenciar o sistema cardiovascular , além do risco de dependência e intoxicação.

6)A ANVISA alerta que a informação disponível sobre a segurança de uso da cafeína em suplementos alimentares é insuficiente para obter um nível seguro de consumo por crianças, gestantes e lactantes.

7)Não existe consenso ou recomendação mundial que estabeleça limites para o consumo de cafeína por crianças e adolescentes.

Por  todas essas razões é importante alertar vocês , pais e cuidadores que existem outras opções alimentares mais saudáveis para se oferecer às crianças.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria ( Departamento de Pediatria Ambulatorial )- Nota de Alerta de 01 de novembro de 2022 : “Cafeína: Cuidado com as Crianças”

Dra. Carolina Calafiori de Campos

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Traqueostomia em Pediatria - Coluna Pediatria por Dra. Carolina Calafiori de Campos

Recentemente a filha do ator Juliano Cazarré com Letícia Cazarré, a pequena Maria Guilhermina, diagnosticada com uma cardiopatia rara , chamada Anomalia de Ebstein , passou por um procedimento chamado Traqueostomia .

A traqueostomia (TQT) é um procedimento cirúrgico que pode ser feito em qualquer faixa etária, inclusive em crianças abaixo de um ano.

Basicamente , o objetivo é fazer uma abertura na traqueia, liberando as vias aéreas, para que o ar chegue até os pulmões, ou seja, funciona como uma " rota alternativa" para reestabelecer a passagem de ar, nessas crianças.

A TQT é frequentemente realizada em crianças que apresentam anomalias das vias aéreas superiores , tanto as congênitas ( desde o nascimento ) ou mais comumente as adquiridas, secundárias a uma intubação prolongada, além de crianças que necessitam de ventilação mecânica (VM) prolongada devido a quadros de insuficiência respiratória.

A TQT também é realizada com mais frequência em crianças com condições crônicas, incluindo aquelas com comprometimento neurológico , doenças cardíacas e pulmonares congênitas.

A decisão de realização de traqueostomia em criança é complexa e depende de vários fatores , incluindo a gravidade da obstrução da via aérea , a dificuldade e o tempo de intubação e a condição subjacente da criança. Cada um desses fatos deve ser avaliado em conjunto pelo pediatra e pelo cirurgião, e a indicação deve ser baseada nas condições individuais de cada criança.

Veja abaixo as condições clínicas que podem indicar a necessidade de TQT de forma precoce ou tardia:

  1. Malformações congênitas: Estenoses glóticas, subglóticas ou de traqueia superior; Cistos laríngeos e de valécula; Hemangioma de laringe ; Obstrução de via aérea superior por malformações craniofaciais.

  2. Infecções: Epiglotite aguda ; Laringotraqueobronquite recorrente.

  3. Tumores: tumores avançados de laringe, tonsilas, faringe ou traqueia superior com consequente estridor e colapsos mecânicos.

  4. Disfunções laríngeas: Paralisia abdutora das cordas vocais.

  5. Traumas: Lesões maxilofaciais graves , fraturas ou transecções da laringe ou da traqueia, lesões cervicais que tornam difícil ou inviável a intubação endotraqueal para manipulação e abordagem das vias aéreas (necessidade de cricoidostomia ou TQT de urgência), aspiração de conteúdos químicos, lacerações traqueais, queimaduras, corrosivos e reações anafiláticas gerando edema subglótico significativo , corpos estranhos em que a TQT pode ser realizada após tentativas frustradas de retiradas dos corpos estranhos por manobras mecânicas ou endoscópicas.

  6. Pós operatórios: Complicações pós-operatórias de tireoidectomia, esôfago ou cordas vocais, como alterações anatômicas no trajeto do fluxo respiratório, tempo prévio ou complementar a outras cirurgias bucofaringolaringológicas.

  7. Apnéia do sono: A TQT permite segurança e a passagem livre do ar na ocorrência de colapso dos músculos faríngeos durante o sono. Porém, ventilação não invasiva deve ser tentada como primeiro tratamento.

  8. Proteção das vias aéreas: Estados de coma, cirurgias de vias aéreas, pescoço e cavidade oral.

  9. Edema glótico e estenoses subglóticas.

  10. Distúrbio grave de deglutição

  11. Higiene de vias aéreas : Dificuldade de manipulação das secreções em casos de idade avançada, doenças neuromusculares, lesão cervical alta.

  12. Suporte ventilatório: Ventilação mecânica (VM) prolongada, traqueomalácia, desmame da VM, hipoventilação associadas a doenças neurológicas , como a paralisia cerebral.

Em 2017, a Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica (ABOP) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicaram, no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, o “1º Consenso Brasileiro de Traqueostomia em Crianças”. Nessa publicação, os autores consideraram fundamental o exame endoscópico das vias aéreas antes da traqueostomia, para que sejam avaliadas as causas da obstrução respiratória e, baseado nos achados e na proposta terapêutica futura, decidir qual é a melhor localização para a TQT.
Além disso, foi consenso entre os membros que a traqueostomia em crianças deve sempre ser feita em centro cirúrgico,

e suas indicações devem nortear o tipo de cânula e suporte ventilatório necessário, assim como o seguimento e o planejamento terapêutico e da decanulação. Ainda de acordo com o consenso, todas essas variáveis e perspectivas precisam ser discutidas com a família desde o momento em que se indica a TQT.

Em crianças em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), que tenham tido falhas de extubação por obstrução respiratória alta, os membros consideraram fundamental o exame endoscópico das VA nas seguintes situações: após a segunda falha eletiva de extubação e/ou na persistência de estridor ou disfonia mesmo 72 horas após a extubação.

Ao longo doa últimos anos , o número de crianças tratadas e curadas pela traqueostomia , aumentou, porém ela tem um grande impacto na vida da criança e da família, necessitando de um acompanhamento multidisciplinar com : pediatra, pneumopediatra, gastropediatra, cirurgião, fonoaudióloga , enfermeiro , nutróloga e psicóloga.

Existem complicações relacionadas à TQT? sim ! Crianças submetidas a TQT apresentam maior risco de complicações do que pacientes adultos, e quanto mais jovem é a criança, maior é o risco de complicações. As complicações da TQT podem ser classificadas em precoces e tardias.

As precoces são : Pneumotórax , decanulação acidental ( saída da cânula ) , tamponamento da TQT (obstrução), sangramento e até mesmo a morte.

As tardias são: Ruptura do estoma , tecido de granulação, fístula traqueoinominada, fístula traqueoesofágica, morte.
Nem todas as crianças retiram a traqueostomia antes de irem para casa; algumas precisam ir para o domicílio com a cânula, e para isso os paos precisam de todo o materiral necessário, além de um treinamento com os cuidados com a traqueostomia , bem como a detecção de complicações e técnicas de emergência.

A retirada da cânula ( decanulação) somente deve ser tentada após resolução da doença primária que indicou o procedimento

Referência Bibliográfica :

VELINO, M. A. G. et al . First Clinical Consensus and National Recommendations on Tracheostomized Children of the Brazilian Academy of Pediatric Otorhinolaryngology (ABOPe) and Brazilian Society of Pediatrics (SBP). Braz. j. otorhinolaryngol, São Paulo , v.83, n.5, p.498–506, 2017...




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